Dois resgates, cinco anos e vários pacotes de austeridade depois, os gregos vão novamente a votos este domingo. Mais do que um futuro governo, vão escolher um rumo, uma política económica e uma nova tentativa de saída do programa de resgate. Desgastados pelos números, seja da dívida, do desemprego ou da pobreza, procuram a solução para uma crise que se arrasta. Mais do que a Grécia, aliás, é a Europa que está atenta à luta entre o Syriza e a Nova Democracia, os dois partidos candidatos a vencer estas eleições.

As agendas dos dois partidos são diferentes, embora nenhum deles tenha intenção de sair da zona Euro, como se temia, são duas correntes distintas, centro-direita contra esquerda radical, tendo em comum apenas o objetivo de tirar a Grécia da recessão e livrar o país da má reputação dos últimos anos.

O Syriza quer uma renegociação dos prazos para o pagamento da dívida do país, já a Nova Democracia pretende continuar as reformas, ao mesmo tempo que começa a aliviar a pressão fiscal sobre os contribuintes. As sondagens mostram que a primeira opção parece estar a agradar à maioria dos gregos, com o Syriza à frente com 30% das intenções de voto, embora a curta distância para a Nova Democracia, porque, afinal, trata-se de uma escolha «arriscada», inédita no país. Ainda assim, um feito «extraordinário» do Syriza, se pensarmos que há cerca de 10 anos, nas eleições de 2004, o partido reuniu apenas 3.3% dos votos.



A luta entre Tsipras e Samaras já se arrasta há quase três anos. Nas últimas legislativas, em 2012, a Nova Democracia venceu, mas sofreu até conseguir formar um governo de coligação com o PASOK e a Esquerda Democrática, que entretanto abandonou o executivo. O Syriza ficou em segundo lugar, tornando-se o principal partido da oposição na Grécia. Dois anos depois, as eleições europeias 2014 transmitiram novo sinal de crescimento para o partido, com o Syriza a conseguir ser o mais votado, com 26,6 por cento dos votos.  
 
Apesar disso, o governo de Samaras manteve-se até à recente crise política, em dezembro, quando o primeiro-ministro decidiu antecipar a eleição do Presidente da República. Por três vezes, o Parlamento votou, mas o candidato proposto pela coligação, Stavros Dimas, nunca conseguiu obter o número de votos exigido. Esgotadas todas as tentativas, a Constituição grega dita que se convoquem novas eleições legislativas, que foram então antecipadas para 25 de janeiro.

Mas a luta pelos votos dos gregos não será apenas entre os atuais dois maiores partidos. Há, ainda, outras 18 forças políticas em disputa, sendo que, à partida, apenas oito terão hipóteses de conseguir assentos no parlamento. Entre estas últimas estão: o «jovem partido» «O Rio», a extrema-direita da «Aurora Dourada», o penúltimo partido do Governo, «PASOK», e o «novo» «Movimento dos Democratas Socialistas», criado no inicio de 2015 pelo ex-primeiro-ministro George Papandreou.