Temas polémicos como aborto, drogas e homossexualidade marcaram o debate deste domingo, no Brasil, entre os candidatos presidenciais. Apesar de não ser só entre eles, o debate transmitido pela TV Record centrou-se no embate entre Dilma Rousseff (PT – Partido dos Trabalhadores), Marina Silva (PSB – Partido Socialista Brasileiro) e Aécio Neves (PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira), que lideram as sondagens.

A campanha para as eleições no Brasil que vão eleger o novo presidente, os governadores estaduais, deputados federais e estaduais, bem como senadores entrou assim na última semana.

O escândalo de corrupção da Petrobras foi trazido à contenda, este domingo, por Aécio Neves, mas também por Everaldo Pereira (PSC – Partido Social Cristão) e por Levy Fidelix (PRTB – Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), que usaram o caso para atacar Dilma. A presidente invocou o direito de resposta para se defender: «Uma coisa tem de ficar clara: quem demitiu o Paulo Roberto fui eu. A Polícia Federal do meu governo investigou todos esses malfeitos, esses crimes».

Mas o debate ficou mesmo marcado foi pelas declarações polémicas de Levy Fidelix sobre o casamento homossexual.
«Pelo que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho. E digo mais. Desculpe, mas aparelho excretor não reproduz», disse, quando questionado pela candidata do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), Luciana Genro.

«Como é que pode um pai de família, um avô, ficar aqui escorado porque tem medo de perder votos? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô, que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. E vou acabar com essa historinha», acrescentou.

As declarações do candidato geraram forte polémica nas redes sociais, com internautas a publicarem caricaturas e mesmo a pedir cadeia para Levy Fidelix. Tornou-se viral no Twitter a hashtag #LevyVocêÉNojento. Entre os posts mais comentados do Facebook e do Twitter, no Brasil, esta segunda-feira, estão comparações de Levy a Hitler e pedidos para que seja processado e investigado pelo Ministério Público.

Defesa do aborto e da liberalização das drogas

No debate, a candidata Luciana Genro defendeu o aborto e foi mais longe sublinhando que a interrupção voluntária da gravidez deveria ser uma oferta do sistema público de saúde. Declarações imediatamente rebatidas pelo pastor Everaldo Pereira: «Defendo a vida do ser humano desde a sua conceção. Sou contra o aborto».

Sempre polémico, Levy Fidelix causou também indignação ao falar da toxicodependência. «Esse pessoal todo não trabalha, não produz nada, além de serem, honestamente, peso para qualquer governo», disse referindo-se aos toxicodependentes, que se estima serem cerca de um milhão só nas grandes capitais brasileiras.

O candidato do PV (Partido Verde), Eduardo Jorge, foi mais tolerante em relação ao tema, defendendo a legalização das drogas. «Eu quero dizer para as pessoas depois da legalização: Não use a droga, ela é prejudicial. Mas, se usar, use o mais moderadamente possível. E, se ficar doente, dependente, eu quero te ajudar no Sistema Único de Saúde», sublinhou.

Os números das últimas sondagens

A semana arranca com Dilma Rousseff a destacar-se nas intenções de voto. A sondagem avançada pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) coloca Dilma com 38 por cento dos votos, contra 29 por cento de Marina Silva. Aécio Neves fica muito mais atrás, com 19 por cento das intenções de voto.

De todos os outros candidatos, de acordo com o IBOPE, só o pastor Everaldo tem uma intenção de voto com expressão acima de 1 por cento. Todos os outros têm menos de 1 por cento das intenções de voto.

A sondagem Datafolha, encomendada pela Globo e pelo jornal «Folha de São Paulo», ainda é mais favorável a Dilma, colocando-a com 40 por cento das intenções de voto, contra 27 por cento de Marina e 18 por cento de Aécio Neves.