Por volta das 17:00 locais, a participação eleitoral na segunda volta das regionais, em França, era de 50%, bastante mais do que na primeira volta. Se a Frente Nacional de Marine Le Pen conquistou mais de metade das regiões há uma semana, o jogo pode virar agora. 

É que mais 7 pontos percentuais de votos recolhidos do que na primeira volta à mesma hora (43,01%) podem fazer a diferença. As urnas fecham às 19:00 (hora de Lisboa). 

A abstenção é um dos maiores desafios do ato eleitoral. Um em cada dois franceses optaram por não votar na primeira volta. E isso pode prejudicar os partidos mais tradicionais. Ainda assim, parece que a população decidiu sair mais de casa, desta vez. 

Há uma semana, a Frente Nacional, que é um partido de extrema-direita, conquistou mais de metade das regiões a votos, seis em 13. Tornou-se, assim, primeira força política de França. 

Os maiores triunfos aconteceram no norte, na região de Calais-Picardia, onde Marine Le Pen era candidata, e Provença-Alpes-Cote d'azur, no sul do país, onde a cabeça de lista é a sua sobrinha, Marion Marechal-Le Pen.

Esse cenário poderá, no entanto, não se repetir este domingo. Numa tentativa de travar a vitória da extrema direita, os socialistas dramatizaram o discurso e retiraram as suas candidaturas em regiões onde Marine e Marion ficaram em primeiro lugar, dando o seu apoio aos republicanos de Nicolas Sarkozy. 
 

Ato eleitoral ensombrado


De notar que as eleições francesas acontecem ainda no rescaldo dos atentados de Paris, a 13 de novembro, há precisamente um mês. E também decorrem numa altura em que a Europa tenta lidar com a vaga de refugiados, uma das bandeiras de oposição da Frente Nacional. Os dois acontecimentos ajudam a explicar a subida de votos num partido classificado como xenófobo e racista.

Marine Le Pen, eleita presidente da frente nacional em 2011, já conseguiu em 4 anos mais do que o seu pai, Jean Marie Le Pen, em toda uma vida de ação política.

As regionais francesas são vistas como um barómetro para as presidenciais que só acontecem em 2017. Deixam Le Pen bem posicionada, a par dos socialistas e dos republicanos do ex-presidente Nicolas Sarkozy.