As assembleias de voto da Grécia abriram este domingo pelas 07:00 locais (05:00 em Lisboa) para as eleições legislativas. No total, cerca de 9,8 milhões de eleitores vão votar para eleger 300 deputados.

A votação vai decorrer durante 12 horas, até às 15:00 locais (17:00 em Lisboa). Enquanto ainda se vota, estão a ser divulgadas sondagens oficiosas que dão a vitória ao Syriza por mais de 10 pontos percentuais. A Nova Democracia emitiu mesmo um comunicado a apelar a uma investigação policial a estas sondagens que estão a ser divulgadas na Internet enquanto ainda se pode votar.

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O ministro do Interior grego em funções, Mijalis Theojaridiss, disse que o sufrágio está a decorrer sem incidentes.

«A votação iniciou-se às 7:00 e está a decorrer sem problemas. Houve atrasos em algumas mesas de votação porque, por causa do mau tempo, os presidentes não conseguiram chegar a tempo. Tudo segue com normalidade».


Alexis Tsipras prestou declarações depois de ter cumprido o ato eleitoral.



«O nosso futuro comum na Europa não é o futuro da austeridade», disse aos jornalistas, depois de votar no bairro popular Kypseli, em Atenas. O povo grego «vai recuperar a dignidade», continuou.
 

«Hoje, o povo helénico vai dar o último passo para recuperar a sua dignidade, para viver um futuro com solidariedade, para voltar à esperança, o fim do medo, o regresso da democracia e a dignidade do nosso país».


Na hora de votar, o primeiro-ministro grego em funções, Andonis Samaras, mostrou-se confiante na vitória do seu partido, a conservadora Nova Democracia.



«Nestas eleições há um grande número de pessoas indecisas. Elas determinarão o resultado», disse Samaras ao depositar o seu voto no colégio eleitoral de uma pequena localidade de Pilos, ao sul de Peloponeso.

O líder conservador disse que enfrentou os comícios «com otimismo», porque «nada vai arriscar a trajetória europeia» da Grécia. Com isso, aludiu ao seu principal rival do partido de esquerda Syriza, Alexis Tsipras, a quem acusou de querer levar a Grécia para fora do euro.

«Estas eleições são cruciais para o nosso futuro e o futuro dos nossos filhos. Hoje decidimos se seguimos em frente com força, com segurança, com confiança, ou se embarcamos em aventuras».


Por outro lado, o líder do To Potami, Stavros Theodorakis, que concorre pelo terceiro lugar com o movimento neonazi Aurora Dourada, os socialistas do Pasok e os comunistas do KKE, afirmou ao votar em Jania, Creta, que a Grécia vai «castigar os partidos políticos que provocaram esta situação».



A Grécia «parece que decidiu mudar de primeira força política e castigar os que conduziram a esta situação, a Nova Democracia e o Pasok», adiantou. Theodorakis acrescentou que estas eleições oferecem à Grécia a «oportunidade de votar a favor daqueles que têm sabedoria e coragem para mudar o país sem derrubá-lo todo e evitar os que querem lançar o país à aventura».

Segundo as sondagens, o To Potami, fundado há 11 meses, pode alcançar entre 5% e 7% dos votos.

Este domingo poderá ser histórico para a Grécia e para a Europa. Se a esquerda radical vencer as eleições antecipadas, a continuidade de Atenas no euro poderá ser posta em causa. 
  
Depois de cinco anos de resgate, a Grécia volta a agitar os mercados. Uma situação a que nenhum país europeu pode ficar indiferente, sobretudo pelo risco de contágio que acarreta. 

Vários líderes europeus já deixaram avisos ao que pode acontecer ao país no caso de incumprimentos com as autoridades europeias, apesar de uma saída do euro não estar nos planos de nenhum dos partidos candidatos a vencer as eleições. 

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Syriza e Nova Democracia encabeçam as sondagens, mas nenhum dos partidos parece ter força para conseguir maioria absoluta. Poderá estar para breve uma nova crise política na Grécia que poderá deitar por terra a recuperação económica do país.
 
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Na TVI24, a partir das 17.00 deste domingo, vamos acompanhar estas eleições que podem marcar o futuro da União Europeia. 
  
Em estúdio, diversos painéis de comentadores políticos, económicos e sociais, vão fazer a análise aos resultados eleitorais, aos desafios políticos e aos riscos económicos, numa  Emissão Especialconduzida por  Cristina Reyna e  Paulo Salvador, que contará com  Ana Sofia Cardoso, em directo da Grécia, e também com a análise de  Sérgio Figueiredo, em estúdio. 
  
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