O PP espanhol é o partido mais votado a nível nacional, com 26,43%, com cerca de 100 mil votos de vantagem sobre o PSOE, quando estão contabilizados mais de 84% dos votos para as eleições municipais em Espanha.

Os dados oficiais do Ministério do Interior espanhol indicam que o PP (atualmente no poder) conseguiu até ao momento 4.958.884 votos nas municipais de todo o país (ou 26,43%), à frente dos socialistas do PSOE, que obtiveram 4.757.605 votos (ou 25,35%).

Este dado das 22:30 (menos uma hora em Lisboa) contraria a tendência de toda a noite eleitoral, na qual o PSOE liderava em número de votos.

O Ciudadanos surge com 6,42%, ou 635.538 votos em toda a Espanha.

Quanto às autonomias, uma sondagem da Antena 3 indica que o PP terá ganhado em 11 das 13 comunidades autonómicas, ainda que em nenhuma com maioria absoluta, em grande parte devido à entrada dos emergentes.

Segundo a sondagem à boca das urnas, o PSOE ganharia nas Astúrias. Quanto ao Podemos, entraria em todos os parlamentos autonómicos, com a possível exceção da Cantábria, enquanto o Ciudadanos apenas não entraria em Navarra e em Castilla-La Mancha.

Na Comunidade de Madrid, o PP ganharia, mas a depender do Ciudadanos. Segundo esta sondagem, a cabeça-de-lista Cristina Cifuentes obteria entre 45 e 47 assentos (contra os 72 que o PP dispõe agora na Assembleia de Madrid). O socialista Ángel Gabilondo manteria o segundo lugar, com entre 29 e 32 assentos (face aos 36 atuais).

O Podemos entra como a terceira força política (25 ou 26 deputados) e o Ciudadanos a quarta (19 ou 20). Este número de assentos fica no limite do necessário para dar ao PP a maioria absoluta (65 deputados).

Na Comunidade Valenciana, Alberto Fabra (PP) cai dos 55 assentos atuais para 33 a 35. Segue-se o PSOE de Ximo Puig, que se ficaria por 22 a 24 deputados. O Ciudadanos surge como a terceira força (13 a 15 assentos), empatado com o Compromís. O Podemos obteria entre 12 e 13 assento,s enquanto a Izquierda Unida um máximo de três.

Na Extremadura, os "populares" mantém-se como a força mais votada, mas ainda assim longe da maioria absoluta, com 29 assentos contra os 26 ou 27 do PSOE de Fernández Vara, um natural de Olivença. O Ciudadanos seria a terceira força política, com seis assentos (insuficiente para um acordo de maioria absoluta com o PP) e o Podemos entre quatro e cinco.

Em Castilla-La Mancha, o PP ficaria à beira da maioria com 15 a 16 assentos, com PSOE entre os 13 e os 14. O Podemos entraria com dois ou três e o Ciudadanos poderia ficar sem representação.

Em Aragão, o PP ganharia com 27,6% dos votos, seguido do Podemos, com 21%, e o PSOE, com 20,6%, indica uma sondagem da televisão autonómica aragonesa.

Vitória em Sevilha pela margem mínima


O Partido Popular (PP, conservador, no poder em Madrid) venceu as eleições municipais em Sevilha ao garantir 12 conselheiros com cerca de 95% dos votos contabilizados, enquanto o Partido Socialista (PSOE) elegeu 11 representantes.

Os Ciudadanos, com três eleitos, a lista Participa Sevilha (apoiada pelo Podemos), também com três, e a Izquierda Unida (IU), com dois representantes, são os restantes partidos que vão ficar representados no município.

O PP perdeu, no entanto, a maioria absoluta em todas as capitais andaluzas, com as listas de esquerda a registarem fortes subidas em Cádiz (Si se puede, apoiada pelo Podemos, na segunda posição com 28%, contra 33% para a candidata do PP) e Huelva, com a vitória do PSOE (35%), afastando os conservadores no poder há duas décadas.

Na sequência dos resultados em Sevilha, o candidato do PSOE Juan Espadas apenas poderá ganhar a Câmara de Sevilha se chegar a acordo com a lista apoiada pelo Podemos e com os dois eleitos pela IU.

O mesmo poderá acontecer em Cádiz, onde uma hipotética aliança entre a lista do Podemos e PSOE poderá afastar os conservadores do poder local.

PP congratula-se por ser a força mais votada

O PP congratulou-se este domingo por continuar a ser o partido mais votado nas eleições municipais e autonómicas espanholas, enquanto os emergentes Ciudadanos e Podemos realçaram que hoje é um dia de mudança, histórico para Espanha.

Nas primeiras reações às sondagens à boca das urnas, os partidos dividiram-se. O PP reagiu por intermédio do porta-voz do Comité de Campanha, Pablo Casado, que realçou que o partido continua a ser a "força maioritária" a nível municipal e autonómico.

No entanto, remeteu para mais tarde um comentário sobre os previsíveis resultados nas principais cidades e nas autonomias.

A direção do PSOE apelou à "prudência" na análise às sondagens, ainda que tenha valorizado "a clara vontade de mudança" e uma "mudança rumo à esquerda", bem como a rejeição das "políticas de direita do PP".

"Estamos a disputar Madrid e Barcelona, mas também se joga o princípio do fim do PP nas eleições gerais" do final do ano, afirmou a secretária do Emprego, Luz Rodríguez.

Já o Ciudadanos, considera que esta será uma noite de celebração.

O vice-secretário-geral do Ciudadanos, José Manuel Villegas, afirmou que já é um "êxito rotundo" poder dizer que o partido vai eleger "centenas de deputados municipais" em toda a Espanha e "dezenas de parlamentares nas autonomias".

"O Ciudadanos já ganhou esta campanha eleitoral" uma vez que não tinha implantação a nível nacional antes de começar, disse.


O partido "já cumpriu, com êxito, o seu objetivo. Para lá dos resultados que possa vir a obter, já ganhámos porque temos milhares de pessoas a defender as nossas ideias por toda a Espanha", afirmou.
 

Pablo Iglesias declara "o princípio do fim do bipartidarismo"


O secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, considerou que os resultados das eleições municipais e autonómicas que hoje decorreram em Espanha "representam o início do fim do bipartidarismo" no país.

"Esta é uma noite mágica, uma noite histórica em que os resultados apontam para uma mudança em Espanha. Temos muito orgulho e muita honra em ter sido a alavanca desse 'cambio' [mudança] ", disse Pablo Iglesias, numa primeira reação aos resultados das eleições.


Com a quase totalidade dos votos das municipais escrutinados (as autonómicas são da responsabilidade de cada governo regional), o PP é o partido mais votado, seguido dos socialistas do PSOE, mas ambos perdendo muitos votos face à votação de 2011, em especial para os emergentes Podemos e Ciudadanos.

Com poucos votos por contar em Madrid, a candidata apoiada pelo Podemos, Manuela Carmena, estava a 30 mil votos de Esperanza Aguirre, a candidata do PP, partido que domina a capital espanhola desde há 24 anos.

"Tal como em muitos outros processos, esta mudança produz-se primeiro nas grandes cidades", disse Iglesias, antes de referir que "esta noite representa o princípio do fim do bipartidarismo" do PP e do PSOE.


Os dois maiores partidos, avaliou Pablo Iglesias, "obtiveram um dos piores resultados da sua história".

"Obviamente, queríamos que o desgaste dos partidos velhos tivesse sido mais rápido, mas assumimos com muito gosto o desafio de ganhar as eleições gerais ao Partido Popular", afirmou o líder do Podemos, numa declaração aos jornalistas sem direito a perguntas.


As eleições gerais (legislativas) em Espanha decorrerão no final do ano, numa data ainda por anunciar por parte do Governo de Mariano Rajoy (PP).