A Espanha entra na reta final da campanha para as eleições parlamentares e, talvez, o fim de um impasse político inédito na história deste país, que vive há seis meses sem governo.

No próximo domingo, os espanhóis são chamados às urnas e, a partir de agora, não podem ser publicadas mais sondagens. As últimas dão vantagem ao Partido Popular (PP).

E esta é a segunda tentativa nas urnas, depois de vários meses de negociações falhadas entre os principais partidos espanhóis, que não conseguiram chegar a um acordo para um Governo de maioria após as eleições de dezembro passado. Contudo, as eleições de domingo podem até não decidir nada e há, até, quem já tema a necessidade de uma terceira tentativa.

Uma sondagem realizada pela Metroscopia e publicada este sábado no El País dá vantagem ao PP, com 29% das intenções de voto, mas seguido de perto pela coligação Unidos Podemos, que junta o Podemos e a Esquerda Unida, com 26%.

Quanto aos partidos mais ao centro, o Partido Socialista Espanhol (PSOE) soma, segundo esta sondagem, 20,5% das intenções de voto e o Ciudadanos 14,5%.

Uma outra sondagem publicada no El Mundo concorda em colocar o PP como a força mais votada, com um resultado melhor do que o conseguido em dezembro: 30,5%. Ao Unidos Podemos são atribuidas 24,8% das intenções de voto, seguido do PSOE com 20% e do Ciudadanos com 14,1% em comparação com os 13,9% obtidos em dezembro.

Os partidos têm quatro dias para apelar ao voto dos indecisos que, de acordo com as estimativas mais recentes, rondam os 30%.

Os indecisos são essenciais para definir qual o partido que vai ocupar o segundo lugar, numa luta direta entre os socialistas e a esquerda liderada por Pablo Iglesias.

Para já, tudo aponta para que o multipartidarismo tenha vindo para ficar no país de nuestros hermanos. Com uma participação estimada em 70%, especialistas garantem que a intenção de voto dos espanhóis está hoje mais consolidada do que nas vésperas do 20 de dezembro.

Num cenário em que a Esquerda Unida e o Podemos se juntaram para fazer frente ao Partido Popular, a coligação obtém vantagem e tem potencial de atrair o PSOE para formar governo de esquerda.

O panorama é por isto favorável à esquerda, ainda que o direitista PP lidere as projeções.

Recorde-se que, nas últimas eleições, o Partido Popular conseguiu 28,72% dos votos e 123 deputados, menos 63 assentos parlamentares do que os alcançados em 2011. 
 
Em segundo, ficou o PSOE, com 22% dos votos e 90 deputados. O Podemos, de Pablo Iglesias, conseguiu 20,66%, 69 deputados e um terceiro lugar. O Ciudadanos conquistou para si 13,9% e 40 deputados, muito abaixo do que lhe apontavam, na altura, as sondagens. 

O cenário complicou as contas a Rajoy que, agora, garante que uma aliança de Governo só poderá funcionar com forças políticas “sensatas”: o PSOE, de Pedro Sánchez, ou com o Ciudadanos, de Albert Rivera. 

Pedro Sánchez garante, no entanto, que não vai vetar nenhuma força de mudança e que é inútil votar em Rajoy e em Pablo Iglesias.

Numa entrevista ao El País em que não se mostra desmoralizado com as projeções, o candidato do PSOE critica Iglesias e diz que os espanhóis não merecem ser "governados por pessoas que provocam uma forte oposição na opinião pública".

Entretanto, na reta final da campanha, o clima de tensão sobe de tom.

Pedro Sánhez, Pablo Iglesias e Albert Riviera pedem a demissão do Ministro do Interior, depois de terem sido divulgadas escutas entre este e o líder da Oficina Antifraude Catalã, onde alegadamente conspiram para incriminar políticos da esquerda catalã dias antes do referendo sobre a independência. Jorge Fernández Díaz nega as acusações.

Polémicas à parte, os espanhóis são chamados às urnas este domingo, altura em que deverá ficar desfeito este novelo político. Até lá, todas as opções estão em aberto.