A comissão eleitoral russa rejeitou hoje a candidatura de Alexei Navalny às presidências de 18 de março próximo, invocando a sua condenação judicial num caso que o próprio denunciou como “fabricado” para o impedir de enfrentar Vladimir Putin.

Durante uma reunião pública, a Comissão votou por unanimidade a rejeição do processo apresentado na noite anterior pelo opositor de Putin, advogado de 41 anos, após ter pedido a mobilização dos seus apoiantes.

Nós chamaremos todos para boicotar essas eleições, não reconheceremos os resultados”, anunciou Alexei Navalny à imprensa após a decisão da Comissão Eleitoral.

A decisão está longe de surpreender pois este órgão já tinha advertido que o opositor ao regime não poderia aparecer antes de 2028 devido a uma condenação, em fevereiro passado, de cinco anos de pena suspensa por um caso de desvio de fundos em 2009.

A presidente da comissão, Ella Pamfilova, assegurou que não teve “nenhum comentário” nos documentos apresentados por Alexei Navalny, repetindo que era uma questão de fazer cumprir a lei.

É óbvio que esses casos foram fabricados para não me deixar apresentar" às presidenciais, declarou Navalny durante os debates públicos anteriores à decisão, com base na decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH).

Alexei Navalny convocou neste domingo os seus apoiantes em 20 cidades russas para que exerçam o seu direito e proponham o político da oposição como candidato independente às eleições presidenciais de março de 2018 na Rússia.

Para ser nomeado, segundo a lei eleitoral russa, Navalny, precisa de ter um grupo de pelo menos 500 eleitores que manifestem o apoio à sua candidatura.

O presidente russo, Vladimir Putin, que anunciou previamente os seus planos de concorrer às eleições como candidato independente, segundo se espera, será proposto como candidato através de uma iniciativa popular na terça-feira. Navalny prossegue a sua campanha eleitoral com a esperança de poder enfrentar o chefe do Kremlin nas presidenciais de março de 2018.