O partido constitucionalista Cidadãos está à frente nas eleições na Catalunha quando estão contados mais de 97% dos votos, mas os independentistas mantiveram a maioria absoluta parlamentar, com a formação liderada pelo ex-presidente catalão, Carles Puigdemont, em segundo lugar.

Quando estão contabilizados mais de 97% dos votos, o Cidadãos (direita liberal), liderado por Inés Arrimadas, obtém 37 lugares no parlamento catalão, enquanto o Junts per Catalunya elege 34 deputados.

A Esquerda Republicana Catalã, de Oriol Junqueras, anterior vice-presidente da Generalitat, tem 32 assentos, seguindo-se os socialistas catalães com 17 eleitos, o CatComú – Podem, com oito eleitos.

Acompanhe aqui tudo sobre as eleições na Catalunha.

A Candidatura de Unidade Popular (CUP, extrema-esquerda) elege quatro e o Partido Popular Catalão apenas três.

No total, o bloco independentista obteve 70 dos 135 lugares do parlamento catalão.

Todos reclamam vitória

A cabeça de lista do Cidadãos, Inés Arrimadas, já reclamou vitória, declarando o seu partido como “a primeira força política” na região e o bloco separatista como perdedor.

Hoje podemos dizer que somos os vencedores das eleições na Catalunha”, disse Inés Arrimadas, perante apoiantes que celebravam a vitória gritando “presidenta!”.

Os “partidos nacionalistas” (pró-independência) “perderam as eleições, perderam votos, perderam força”, sublinhou.

Também o ex-presidente do governo da Catalunha, Carles Puigdemont, afirmou que os independentistas ganharam as eleições e que a “república catalã ganhou à monarquia do 155”.

No discurso feito a partir de Bruxelas, Carles Puigdemont assumiu a vitória do bloco independentista, apesar de o seu partido, o Junts per Catalunya, ter ficado em segundo lugar, atrás do Cidadãos, defensor da unidade de Espanha.

Nas eleições regionais convocadas por Madrid na sequência da aplicação do artigo 155 da Constituição, que permite a suspensão das autonomias regionais, os partidos independentistas obtiveram 70 dos 135 lugares do parlamento.

Por isso, Carles Puigdemont afirmou-se vencedor: “Que tomem nota, o Estado espanhol foi derrotado”.

O chefe do governo espanhol Mariano “Rajoy e sua aliança perderam e receberam uma bofetada dos catalãos”.

 A maior organização da sociedade civil pró-independência da Catalunha, a Assembleia Nacional Catalã (ANC), reivindicou a vitória dos partidos secessionistas nas eleições regionais.

Podemos dizer que as forças pró-independência ganharam as eleições", disse o vice-presidente da ANC, Agusti Alcoberro, que falava perante uma multidão concentrada junto ao Museu Marítimo de Barcelona.

 

Exigimos a devolução do Governo e a libertação dos presos políticos", frisou Alcoberro.

O candidato do Partido Socialista da Catalunha, Miquel Iceta, instou as forças independentistas a “descartar firmemente a via unilateral e ilegal” após umas eleições em que admitiu ter falhado o objetivo, apesar de ter melhorado os resultados.

Iceta felicitou Inés Arrimadas, cabeça de lista do Cidadãos, que venceu as eleições, “pela sua vitória em lugares e votos”, compareceu perante os militantes na sede central do PSC em Barcelona, depois de o seu partido ter alcançado 17 lugares no parlamento catalão, mais um que nas eleições anteriores.

O líder socialista celebrou este resultado, apesar de confessar que “não era” o que pretendia.

Rajoy, o derrotado

Em entrevista à TVE, na noite em que nas urnas, a advogada Inés Arrimadas, líder dos liberais dos Ciudadanos/Ciutadan, não se deu como "presidenta " da Generalitat. Com 37 deputados eleitos, fica, contudo refém, da maioria absoluta composta por três forças políticas pró-independência face a Espanha.

Os resultados da eleição histórica, com uma afluência próxima dos 82%, foram os seguintes:

  • Ciudadanos - 37 deputados;
  • Juntos pela Catalunha (do anterior presidente Carles Puigdemont) - 34
  • Esquerda Republicana Catalã (do ainda detido Oriol Junqueras) - 32
  • PS Catalão - 17
  • CatComú – Podem - 8
  • Candidatura de Unidade Popular (CUP, extrema-esquerda) - 4
  • PP Catalão - 3

No total, o bloco independentista obteve 70 dos 135 lugares do parlamento catalão.

Ainda assim, em termos de votos expressos, os partidos constitucionalistas, que defendem a manutenção da Catalunha no reino espanhol tiveram mais votos.

A perder em toda a linha esteve o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, já que os independentistas mantêm a maioria absoluta no parlamento catalão e o seu Partido Popular caiu de 11 para apenas três representantes.

As dúvidas estão agora em que será presidente: se a vencedora Inés Arrimadas, do Ciudadanos, se a maioria independentista irá impor um líder. Provavelmente, o exilado e anterior líder que convocou o referendo, Carles Puigdemont.