Atualizada às 03:31 

O Brasil vai de novo a votos dia 26 de outubro. Mais de 142 milhões de eleitores vão escolher o novo presidente. A votação da primeira volta realizada este domingo coloca Dilma Rousseff (PT – Partido dos Trabalhadores) e Aécio Neves (PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira) na segunda volta. Marina Silva (PSB – Partido Socialista Brasileiro), que travou uma árdua disputa com Aécio Neves, fica em terceiro lugar.

Dilma Rousseff obtém 41,5% dos votos válidos. É o primeiro lugar, é certo, mas é o pior resultado do PT em 12 anos. Aécio Neves obtém 33,5% e Marina Silva, a grande derrotada destas eleições , fica-se pelos 21%.
 
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Entre os restantes candidatos, Luciana Genro (PSOL – Partido Socialismo e Liberdade) obtém pouco mais de 1,5% dos votos válidos e Pastor Everaldo (PSC – Partido Social Cristão) menos de um por cento.

A abstenção ficou um pouco acima dos 19%. Os votos em branco rondaram os 4% e os votos nulos ficaram abaixo dos 6%.

Aécio, a grande surpresa

A vitória de Dilma Rousseff não constitui grande surpresa. A dúvida dos últimos dias era mesmo saber se iria haver uma segunda volta e, no caso de haver, quem a disputaria com ela – Marina ou Aécio. As sondagens, apesar de colocarem Marina Silva a descer nas intenções de voto, apontavam-na como adversária de Dilma numa segunda volta.

Marina Silva chegou a ter 20% das intenções de voto a mais do que Aécio Neves e, no início de setembro estava empatada tecnicamente com Dilma Rousseff. Mas a mulher que entrou nesta luta presidencial um pouco por acaso, após a morte de Eduardo Campos, foi descendo nas intenções de voto. Obtém agora um resultado pouco mais expressivo do que aquele que obteve, em 2010, quando ficou em terceiro lugar com 19% dos votos válidos (excluindo brancos e nulos).



As falhas das sondagens

As sondagens acabaram assim por se afastarem dos resultados oficiais agora obtidos. A prova disso é uma sondagem à boca da urna, realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (IBOPE), divulgada à hora do fecho das urnas, já colocava Dilma Rousseff e Aécio Neves na segunda volta das eleições presidenciais no Brasil. Ainda assim, as percentagens eram substancialmente diferentes dos resultados reais.

A sondagem do IBOPE, realizada à boca das urnas, junto de 64 200 eleitores, atribuía 44% das intenções de voto a Dilma Rousseff, 30 a Aécio Neves e 22 a Marina Silva. Luciana Genro obtinha 2% dos votos e Pastor Everaldo obtinha 1% das intenções de voto.

E agora?

O próximo Presidente do Brasil será então Dilma Rousseff ou Aécio Neves. E, de facto, tudo pode acontecer. Um fator determinante poderá ser o apoio de Marina Silva a um dos candidatos.

O PSDB estará já a namorar Marina Silva. Este domingo, avança a «Veja», o PSDB terá já encetado conversações com responsáveis da campanha do PSB de Marina Silva. Há contudo obstáculos a uma aliança entre os dois partidos para derrotar Dilma.

Marina Silva deve manter a mesma estratégia de 2010, em que Dilma disputou a segunda volta com Serra, e não apoiar ninguém. Dessa forma, Marina preservar-se-á com vista à formação do seu próprio partido, que reúne já todos os requisitos legais para o registo.

O PSDB pode jogar com o trunfo da amizade que unia Aécio e Eduardo Campos, o candidato do PSB que morreu no acidente aéreo de agosto. A viúva de Eduardo Campos pode mesmo assumir um importante papel de interlocutora.

Mas nem só o apoio do PSB e de Marina Silva constituem fatores determinantes na segunda volta das presidenciais. Uma viagem pelo Brasil, estado a estado, pode ajudar a resolver o dilema: o apoio dos governadores eleitos já na primeira volta a um ou a outro candidato pode ser decisivo.