suspense em torno dos resultados das eleições legislativas que se realizam esta quinta-feira na Dinamarca é digno das melhores cenas da famosa série televisiva "Borgen", que levou as minúcias da política dinamarquesa a telespetadores de todo o mundo.

A última sondagem indica que a aliança de centro-esquerda que está no poder tem uma vantagem de 0,2% sobre o bloco de centro-direita (50,1% contra 49,9%). Em termos estatísticos, isto significa que há um empate técnico entre os dois campos e que tudo dependerá da configuração das coligações que serão formadas após a eleição. Até poderá acontecer que o partido mais votado fique na oposição.

Nas questões económicas, que costumam ser o fator decisivo na decisão dos eleitores, a coligação da primeira-ministra Helle Thorning-Schmidt não tem muito que temer: a riqueza nacinal está a crescer, as finanças públicas estão em ordem e o país mantém um dos melhores padrões de vida do mundo. Por isso, a oposição arrastou o debate pré-eleitoral para questões mais fraturantes, como a segurança social e a imigração.

Lars Rasmussen, o líder do Partido Liberal, que encabeça o bloco de centro-direita, tem apostado numa campanha contra o chamado "turismo de subsídios", em que imigrantes vão para a Dinamarca com o objetivo de viverem à custa do generoso regime de apoios sociais que existe no país.

Este tema tem tal eco na opinião pública que até os sociais-democratas de Thorning-Schmidt, tradicionais apoiantes dos imigrantes, se viram obrigados a lançar um novo lema de proopaganda: "Se vem para a Dinamarca, tem de trabalhar".

Quer o Partido Social-Democrata, quer o Liberal, prometeram também apertar o controlo nas fronteiras dinamarquesas. A partir das 19:00, hora portuguesa, saber-se-á até que ponto estas e outras posições influenciaram os eleitores.