Há cerca de um mês, Marina Silva chegou a estar em empate técnico com Dilma Rousseff, que neste domingo foi a candidata mais votada nas eleições presidenciais brasileiras, seguida por Aécio Neves. Ela era a surpresa das eleições presidenciais, mas acabou por sair derrotada

Com 21 milhões de votos correspondentes a 21% dos votos, Marina Silva ainda pode ser determinante caso decida apoiar um dos candidatos na segunda volta das presidenciais. Em 2009, a candidata não o fez. E Dilma venceu. Será que é isso que vai acontecer desta vez? É uma das perguntas que fica por responder numa noite eleitoral que correu de forma desastrosa para a candidata do PSB. Na conferência de imprensa na noite eleitoral, deixou em aberto a possibilidade de diálogo com os candidatos à segunda volta.

É a segunda vez que Marina Silva fica em terceiro lugar nas presidenciais. Em 2009, muitos elogiaram a força e determinação que a levaram do seringal à política - primeiro o Parlamento, depois o ministério do Meio Ambiente, a seguir o Palácio do Planalto. A última etapa voltou a falhar. Em 2009 obteve 20% dos votos.

Do sonho ao pesadelo: como foi que Marina Silva escorregou numa semana?


Vamos começar pelo princípio. Marina Silva até chegou a ser dada como vencedora de uma segunda volta presidencial. Alguns dias após a morte do candidato Eduardo Campos, a 27 de agosto, uma sondagem do Instituto Ibope para o canal Globo e diário «O Estado de São Paulo» referia que Dilma Rousseff seria a mais votada a 5 de outubro, com 34% dos votos, seguida por Marina Silva com 29% e por Aécio Neves com 19%. Com estes resultados, revelava a sondagem do Ibobe, seria necessária uma segunda volta na qual Marina Silva conquistaria a presidência com 45% dos votos, face a apenas 36% de Dilma Rousseff. Erro das sondagens?

A seguir, Dilma e Marina pareciam empatadas, uma aparente luta no feminino. Uma sondagem do Datafolha, publicada a 11 de setembro, atribuía 36% das intenções de voto à presidente brasileira e 33% à candidata do PSB, que caía 1% face à anterior sondagem. Foi a primeira quebra negativa entre as duas mulheres em luta pela presidência do Brasil. A partir daí, Marina Silva esteve sempre a resvalar ao ponto da última sondagem do Datafolha, publicada na véspera das eleições, confirmar a ultrapassagem de Aécio Neves para o segundo lugar do pódio.

Os dados do Instituto Ibope também seguiram uma curva muito semelhante de intenções de voto nos três principais candidatos. Marina Silva parece derrapar só na reta final da campanha.

No Brasil, as primeiras reações a este revés culpabilizam as empresas de sondagens pelas indicações tão díspares da realidade que foram dando à opinião pública. Ou seja, tudo não passou de uma enorme ilusão. Para Ricardo Noblat, comentador político do jornal «O Globo», «mais uma vez os institutos de pesquisa fracassaram, se não em todos os estados, ou na maioria deles, em alguns estados muito importantes». Foi isso?