De acordo com um comunicado do arcebispado de El Salvador, citado pela BBC News, Jesús Delgado está disposto a reencontrar-se com a mulher, que agora tem 42 anos, para lhe pedir perdão pessoalmente. A mulher foi abusada dos 9 aos 17 anos.

De acordo com o artigo 34 do Código de Processo Penal de El Salvador, o delito de abuso de menores prescreve num prazo máximo de dez anos.

O arcebispado de El Salvador viu-se obrigado a agir depois do Governo ter ameaçado revelar a identidade do acusado de pedofilia se a Igreja não se pronunciasse publicamente sobre o caso.

Em declarações ao jornal “La Prensa Gráfica”, a secretária de Estado da Inclusão Social, Vanda Pignato, informou que o Governo salvadorenho deu conhecimento do caso às autoridades eclesiásticas em outubro.

“Ele [Jesús Delgado] gosta de celebrar missa para as crianças, mas ele é um pedófilo", afirmou Vanda Pignato.

Após a realização de uma investigação interna, a Igreja decidiu suspender o bispo de todas as funções sacerdotais.

Jesús Delgado, de 77 anos, foi ordenado sacerdote a 15 de agosto de 1962 e atualmente era vigário geral da Arquidiocese de San Salvador, vigário episcopal da Educação e Cultura, e diretor dos meios de comunicação da Igreja Católica em El Salvador.

Jesús Delgado é considerado um dos melhores historiadores da Igreja salvadorenha e foi o biógrafo do assassinato do arcebispo Óscar Romero, beatificado em maio pelo Papa Francisco.

Chus Delgado, como lhe chamam os amigos, foi secretário privado de Romero e escreveu “Óscar A. Romero”, seguramente a biografia mais vendida do sacerdote salvadorenho assassinado a 24 de março de 1980, por um atirador de elite do exército salvadorenho, quando celebrava missa.