A Igreja Católica de El Salvador suspendeu, na quinta-feira, um conhecido sacerdote sob a acusação de pedofilia. Monsenhor Jesús Delgado, que trabalhou no processo de canonização de Óscar Romero, admitiu ter abusado sexualmente de uma menor durante oito anos na década de 1980. 

De acordo com um comunicado do arcebispado de El Salvador, citado pela BBC News, Jesús Delgado está disposto a reencontrar-se com a mulher, que agora tem 42 anos, para lhe pedir perdão pessoalmente. A mulher foi abusada dos 9 aos 17 anos.

De acordo com o artigo 34 do Código de Processo Penal de El Salvador, o delito de abuso de menores prescreve num prazo máximo de dez anos.

O arcebispado de El Salvador viu-se obrigado a agir depois do Governo ter ameaçado revelar a identidade do acusado de pedofilia se a Igreja não se pronunciasse publicamente sobre o caso.

Em declarações ao jornal “La Prensa Gráfica”, a secretária de Estado da Inclusão Social, Vanda Pignato, informou que o Governo salvadorenho deu conhecimento do caso às autoridades eclesiásticas em outubro.

“Ele [Jesús Delgado] gosta de celebrar missa para as crianças, mas ele é um pedófilo", afirmou Vanda Pignato.


Após a realização de uma investigação interna, a Igreja decidiu suspender o bispo de todas as funções sacerdotais.

Jesús Delgado, de 77 anos, foi ordenado sacerdote a 15 de agosto de 1962 e atualmente era vigário geral da Arquidiocese de San Salvador, vigário episcopal da Educação e Cultura, e diretor dos meios de comunicação da Igreja Católica em El Salvador.

Jesús Delgado é considerado um dos melhores historiadores da Igreja salvadorenha e foi o biógrafo do assassinato do arcebispo Óscar Romero, beatificado em maio pelo Papa Francisco.

Chus Delgado, como lhe chamam os amigos, foi secretário privado de Romero e escreveu “Óscar A. Romero”, seguramente a biografia mais vendida do sacerdote salvadorenho assassinado a 24 de março de 1980, por um atirador de elite do exército salvadorenho, quando celebrava missa.