A morte de mais um negro às mãos da polícia reacendeu, na noite de terça-feira, os protestos nos Estados Unidos, agora na Califórnia, depois de na última semana ter sido declarado o estado de emergência em Charlotte, na Carolina do Norte, na sequência da contestação que se seguiu à morte de Keith Lamont Scott.

A polícia de El Cajon, um subúrbio de San Diego, atingiu mortalmente um afro-americano que se estaria a comportar “erraticamente” e que terá simulado com as mãos o desenho de uma arma.

A vítima, de cerca de 30 anos, cuja identificação não foi divulgada pelas autoridades, foi primeiro baleada e depois atingida com o taser (arma que produz descargas elétricas).

A polícia foi chamada ao local devido ao comportamento de um homem que, alegadamente, não estaria em si”, andando de um lado para o outro da estrada.

Quando os agentes abordaram o homem, ele não respondeu a nenhuma das indicações”, descreveu o tenente Rob Ransweiler, da polícia de El Cajon.

No seu canal na rede social Twitter, as autoridades adiantam que o afro-americano não acatou a ordem de levantar os braços.

Segundo relato policial, a vítima manteve sempre as mãos nos bolsos, enquanto andava de um lado para o outro. E tudo se terá precipitado quando a polícia, que preparava o taser, viu o homem “rapidamente” juntar as mãos “como se estivesse a segurar uma arma” e a colocar-se em “posição de disparar”.

Um agente respondeu de imediato, disparando sobre a vítima, enquanto outro aplicou-lhe uma descarga elétrica.

Não é claro se o homem estava armado, adiantou o chefe da esquadra, Jeff Davis, uma vez que os investigadores não encontraram qualquer arma no local. Também não adiantaram se encontraram qualquer outro tipo de arma.

Os agentes envolvidos foram suspensos preventivamente até à conclusão da investigação. Jeff Davis não divulgou o nome dos polícias mas adiantou que se tratam de dois agentes com mais de 20 anos de carreira.

As autoridades pedem à população de El Cajon que mantenha a calma até à conclusão da investigação.

Na sequência desta morte, cerca de 200 pessoas concentraram-se junto ao local do incidente. Seguiram depois para a esquadra enquanto decorria a conferência de imprensa mas acabaram por desmobilizar.