Pelo menos 49 pessoas foram executadas em Sirte, na Líbia, por membros do grupo terrorista Estado Islâmico desde fevereiro de 2015, denunciou, esta quarta-feira, o Observatório para os Direitos Humanos (HRW, sigla em inglês).

A entidade entrevistou 45 residentes daquela cidade da província de Tripoli, que descrevem cenas de “horror” praticadas pelos terroristas, que tentam impor as suas leis na cidade.

Como escreve a CNN, as execuções a tiro, decapitações, os enforcamentos e as crucificações são as atrocidades mais praticadas contra “criminosos”, acusados de bruxaria, blasfémia, traição, fumar, ouvir música proibida ou por não assegurarem que as suas esposas ou familiares andem suficientemente tapadas.

Como se as decapitações e as execuções a tiro de alegados inimigos não fossem suficientes, o Estado Islâmico causa um sofrimento terrível aos habitantes de Sirte, mesmo os muçulmanos que seguem as regras”, afirmou Letta Tayler, do HRW.

Os cidadãos são privados de comida, medicamentos, dinheiro e combustível, até as próprias casas, que são entregues a membros do EI. Os bancos e a universidade estão fechados, e uma escola primária foi convertida numa prisão.

Um dos residentes que falou com a HRW denunciou que há inocentes a serem mortos, e que a maioria das pessoas que ainda vive na cidade não consegue fugir por falta de dinheiro.

A vida em Sirte é insuportável. Todos vivem com medo, eles matam inocentes. Não há comida, os hospitais não têm médicos ou enfermeiros e não há medicamentos. Há espiões em todas as ruas. A maioria das pessoas quer fugir, mas estamos presos, não temos dinheiro suficiente para escapar”, afirmou “Ahlam”

A HRW alerta que é necessário olhar para o que está a acontecer em Sirte, da mesma forma que se olha para cidades na Síria e Iraque, também ocupadas pelo EI.

Enquanto a atenção mundial está concentrada nas atrocidades cometidas na Síria e Iraque, o Estado Islâmico sai impune com homicídios na Líbia”, acrescentou Letta Tayler.

O Estado Islâmico conquistou a cidade em junho de 2015, aproveitando-se da instabilidade no país que ainda perdura após a Primavera Árabe e a morte de Muammar Qaddafi. Estima-se que o grupo tenha já cerca de 6.000 terroristas naquela região.