O veredicto do julgamento do antigo presidente egípcio Hosni Mubarak por «cumplicidade» na morte de manifestantes durante a revolta de 2011 vai ser anunciado a 27 de setembro, informou um tribunal do Cairo.

Num primeiro processo pelos mesmos factos, Mubarak foi condenado a prisão perpétua, mas a sentença foi mais tarde anulada por razões técnicas e o caso novamente julgado.

Segundo um balanço oficial, 846 pessoas foram mortas e milhares feridas durante a revolta de 2011 que pôs fim ao regime de Mubarak.

O antigo presidente, 86 anos, foi julgado juntamente com o seu ministro do Interior, Habib al-Adly, e seis altos responsáveis dos serviços de segurança do regime.

Na audiência desta quarta-feira, consagrada à sua defesa, Mubarak leu um longo discurso, em que defendeu o legado dos 30 anos em que esteve no poder e assegurou que «nunca» ordenou a morte de manifestantes.

«Renunciei ao meu cargo voluntariamente para evitar o derramamento de mais sangue egípcio, pelas futuras gerações do Egito e com a esperança de que o país não mergulhasse no desconhecido», disse.

«Este é talvez o meu último discurso», disse Mubarak, sentado numa cadeira de rodas e vestido com o uniforme azul dos detidos condenados. «Agora que a minha vida se aproxima do fim, agradeço a deus por ter a consciência tranquila e estou satisfeito por tê-la passado a defender o Egito».

Mubarak está detido num hospital militar do Cairo devido a problemas de saúde.

Os dois filhos do antigo presidente, Alaa e Gamal, estão a ser julgados com ele num outro processo, de corrupção, cujo veredicto vai também ser pronunciado a 27 de setembro.

Em maio, Mubarak foi condenado a três anos de prisão num outro processo por corrupção.