Uma empresa no Egito arquitetou uma forma de prevenir o assédio sexual das mulheres, cada vez mais frequente no país. Pink Taxi é um novo serviço, exclusivamente para mulheres e crianças.

Os carros da companhia não são cor-de-rosa, nem são táxis. O nome do serviço é apenas um golpe de marketing, afirma a fundadora da empresa, Reem Fawzi.

O projeto pretende proteger as mulheres, assegurando “privacidade e segurança”, dos condutores de táxi.

“Basta entrar no Google e colocar ‘condutor de táxi’ para sugerirem ‘mortes em táxis’, ‘violações por condutores de táxis’ e ‘roubos por condutores de táxis’”, explicou Reem, que acredita que este serviço vai diminuir o número de ocorrências deste tipo.


Segundo a própria, este é um “serviço de limusine”, desenhado para mulheres e famílias. Os veículos são conduzidos exclusivamente por mulheres e podem ser chamados com antecedência. Para tal, as interessadas devem apenas enviar uma cópia do documento de identificação, “para proteção da condutora”.

As limusines contam com uma câmara interna, assim como um gravador de áudio, para que todas as viagens sejam gravadas, e um botão de emergência para que o carro pare imediatamente, se necessário.

O projeto surge depois da ONU ter estimado que a taxa de assédio sexual no Egito ronde os 99.3%. Só no mês passado, foram registados 447 crimes desta natureza, no Cairo, durante os quatro dias da festa muçulmana Eid al-Adha.

Mas, apesar do serviço poder proteger os clientes deste tipo de problemas, tal não acontece com as condutoras. Muitas afirmam que, desde que começaram a conduzir na Pink Taxi, são mais assediadas, especialmente por homens que conduzem táxis.

“Somos mais assediadas conduzindo os táxis do que em carros normais. Os homens gozam connosco e dizem-nos que não sabemos conduzir. Mas aceitamos isso como um desafio… as mulheres pilotam aviões, porque não conduzem táxis?”, disse Mervat al-Badry, uma das condutoras.


O serviço tem gerado alguma polémica e tem sido criticado por associações feministas, que acreditam que este só vai trazer maior descriminação.

“O Pink Taxi está a dizer às mulheres: ‘o assédio é inevitável. Aqui está a forma como podem evitá-lo’”, afirmou alia Abdel-Hameed, porta-voz do programa de Direitos Humanos no Egipto, em entrevista ao The Guardian, acrescentando que o serviço não vai resolver o problema de base que provoca o assédio, em primeiro lugar.