Última actualização às 17:12

Hosni Mubarak deixou a presidência do Egipto, colocando fim a 30 anos de um regime que foi alvo de intensa contestação popular nas últimas semanas. O Conselho das Forças Armadas tomará conta do poder até à realização de eleições.

Hosni Mubarak, o último faraó (perfil)

O anúncio foi feito pelo recém nomeado vice-presidente, Omar Suleiman, numa breve comunicação ao país transmitida pela televisão estatal.

«Perante as difíceis circunstâncias que o país está a atravessar, o presidente Hosni Mubarak decidiu deixar a posição da presidência. Ele encarregou o Conselho das Forças Armadas de dirigir os assuntos de Estado», disse Suleiman.

Entretanto, de acordo com a cadeia televisiva Al Arabiya, os militares fizeram cair o governo, recentemente nomeado por Mubarak durante os protestos, e suspenderam ambas as câmaras do parlamento.

Assim que foi anunciado o afastamento de Mubarak, a multidão de muitas centenas de milhares de pessoas que se encontra reunida na Praça Tahrir, no Cairo, irrompeu num brado de contentamento, durante vários minutos. O mesmo cenário viveu-se em vários pontos do país.

«O povo fez cair o regime», gritaram os manifestantes repetidamente, depois de 18 dias sem dar tréguas ao presidente, marcados também por vários momentos de violência, que segundo as Nações Unidas terão feito cerca de três centenas de mortos.

Num momento histórico, e claramente sinal de que algo mudou no país, a televisão estatal egípcia mostrou imagens dos manifestantes em festa na Praça Tahrir, sinalizando o fim do apertado controlo que o regime exerceu sobre os media nas últimas três décadas.

Depois de ter dito esta quinta-feira, numa comunicação ao país, que continuaria à frente da presidência, Hosni Mubarak deixou ao final da manhã de hoje o Cairo, rumo à estância turística de Sharm el-Sheikh, onde se encontra com a sua família.