A falta de tampões na Argentina está a gerar um intenso debate em torno das restrições que o país sul-americano coloca às importações de produtos estrangeiros.

É verão, as temperaturas são altas e as praias estão cheias em plena época balnear. Mas para cerca de 20 milhões de argentinas uma simples ida à praia, neste momento, pode ser mais desconfortável do que o que seria suposto. Tudo porque faltam tampões no país. Nos supermercados e nas mercearias, as prateleiras destinadas a estes produtos de higiene estão vazias, à espera de uma reposição que já foi prometida pelo governo, mas que tarda em ser concretizada.

A situação dos tampões na Argentina até pode nem ser tão grave como a que se verifica com outros produtos na Venezuela ou em Cuba, por exemplo. No entanto, acabou por conseguir, como nenhum outro caso, lançar o debate sobre os efeitos de um controlo apertado às importações e à moeda estrangeira.

As medidas mais apertadas do governo de Cristina Kirchner em relação às mercadorias estrangeiras foram impostas em 2011, para proteger a valorização da moeda. Políticas que trouxeram várias consequências para a economia do país e para o dia-a-dia das pessoas.

O efeito mais evidente é a escassez de bens estrangeiros. Agora são os tampões, mas no passado o mesmo já aconteceu com outros produtos, como por exemplo, alguns medicamentos.

Além disso, outro problema deriva deste controlo: a elevada taxa de inflação, estimada atualmente em cerca de 40%.

«O governo já não tem uma estratégia a longo prazo para as importações. Apenas lida com cada problema quando este surge», disse Miguel Ponce, responsável pelas importações do país.


É certo que o problema dos tampões deverá estar resolvido brevemente, mas os problemas na economia argentina não deverão ser fáceis de solucionar, segundo os especialistas.

Nos últimos quatro anos, as reservas do país caíram cerca de 40%. Os economistas deixam o aviso: a Argentina pode ter de enfrentar a liquidez se não explorar os mercados globais brevemente.