O «Jornal de Angola» refere-se, na sua edição desta terça-feira, à guerra com os portugueses, que acusa de «ressabiados» e ao percurso eleitoral do país. Palavras do editorial intitulado «Forças contra a democracia», publicado no dia em que se assinalam os 39 anos sobre a proclamação da independência angolana.

O artigo começa por recordar a guerra colonial.

«A legião estrangeira constituída por tropas da África do Sul e mercenários, quase todos portugueses, foi derrotada no Ebo. Em Kifangondo, as tropas de Mobutu e as matilhas de mercenários de várias nacionalidades, capitaneadas pelo coronel “comando” Santos e Castro, foram derrotadas sem apelo nem agravo. Ninguém pode  arrancar estas páginas da História com a desculpa da “reconciliação nacional”».


E o discurso continua contra aqueles que defendem uma «terceira independência» e a opinião política internacional. 

«Não há pior intolerância política do que ignorar as ideias, os valores, os sentimentos e as opções ideológicas ou religiosas dos outros. Quem reclama a “terceira independência” está a empurrar angolanos menos informados para um retrocesso civilizacional que fere os sentimentos democráticos e o mais elementar bom senso.  Angola é independente desde 11 de Novembro de 1975. E o Povo Angolano tem consentido sacrifícios sem nome para preservar essa vitória. Muitos deram a vida para que a Pátria fosse livre. Muitos mais morreram pela sua defesa ao longo dos anos, até 2002.

«Essa é a verdade histórica. E nem as ameaças, as calúnias e as chantagens vão alterar as páginas da História de Angola escritas após a Independência Nacional. Nenhum angolano tem que pedir desculpa às forças negativas por ter lutado contra elas e os seus aliados estrangeiros. Lutar pela liberdade e a democracia não é um anátema. Pelo contrário, é uma honra. E todos devemos honrar os que derrotaram os invasores estrangeiros».


De acordo com o artigo do Jornal de Angola, «intolerância política é desrespeitar a figura do chefe de Estado» e «acusar o partido que venceu as eleições de fraude», referindo-se ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), liderado por José Eduardo dos Santos, que é também o Presidente angolano desde 1979.

«Ameaçar com a “terceira independência” é insultar os milhões de angolanos que votaram em todos os actos eleitorais, de 1992 a 2012»

«Acusar o partido que venceu as eleições de fraude, é uma intolerância tão cega que há muito devia ter merecido uma resposta definitiva e exemplar. Porque os votos que entraram nas urnas são dos angolanos, não dos racistas de Pretória, dos portugueses ressabiados, dos conspiradores de Washington, Paris, Londres, Bruxelas e outras capitais do mundo. O voto é nosso e com os votos, dissemos alto e bom som, sem margem para dúvidas, em quem confiamos a governação do país»


O artigo critica a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), aludindo às recentes declarações do presidente do maior partido da oposição, Isaías Samakuva, que, em Lisboa, apontou a necessidade de uma nova independência do país, de que recorda a Lusa.

«Intolerância política é rejeitar a Constituição da República mas usá-la como arma de arremesso no combate político, quando isso interessa. Intolerância política é perder as eleições e agir como se as tivessem ganho. É diminuir a maioria e não reconhecer a confiança que lhe foi depositada nas urnas por uma maioria qualificada de eleitores. Quem quer a “terceira independência” é contra a democracia».

«Cada um tem de assumir as suas responsabilidades passadas e presentes. Só não dizemos futuras, porque políticos que se agarram como náufragos ao passado, dificilmente terão futuro. Os sucessivos actos eleitorais estão aí para comprovar esta realidade», afirma o editorial. 


As comemorações do 39º aniversário da independência de Angola, proclamada pelo primeiro presidente, António Agostinho Neto, a 11 de novembro de 1975, concentram-se este ano na província do Huambo, considerada um bastião da UNITA durante os anos da guerra civil.

«Este é o tempo de glorificar todos os que, há 39 anos, de armas na mão, defenderam galhardamente a Pátria e com sacrifícios sem nome permitiram a proclamação da Independência Nacional», pode ler-se.