O editor, tradutor e escritor francês François Maspero, de 83 anos morreu no sábado, anunciou esta segunda-feira a editora Le Seuil.

A agência noticiosa francesa, cita a Mediapart, segundo a qual, Maspero foi encontrado morto no domingo, na sua residência.

Maspero, comprometido politicamente com a Esquerda, foi proprietário de uma livraria em Paris, que nas décadas de 1960 e 1970 foi um espaço da cultura de contestação, afirma a AFP.

François Maspero, que foi também jornalista, traduziu vários escritores espanhóis, e em 1959 fundou a sua própria editora, La Découverte.

Neto do egiptólogo Gaston Maspero e filho do sinólogo Henri Maspero, François nasceu em Paris em 19 de janeiro de 1932. A II Grande Guerra marcou a sua juventude, o pai morreu, em 1944, no campo de concentração nazi de Buchenwald, e o irmão mais velho foi morto em França pelas tropas alemãs.

Em 1955, sem qualquer grau académico, tornou-se livreiro no Quartier Latin, em Paris, na época um bairro muito frequentado por artistas e intelectuais.

Quatro anos depois, criou as edições Maspero, publicando textos sobre a guerra na Argélia, de contestação ao regime soviético de Estaline, sobre o subdesenvolvimento e o neocolonialismo.

Publicaram nesta chancela autores como Louis Althusser, Jean-Pierre Vernant, Pierre Vidal-Naquet, Yves Lacoste, Yannis Ritsos, Tahar Ben Jelloun e Nazim Hikmet.

Alguns títulos foram proibidos e Maspero foi ganhando destaque na vida intelectual francesa, apesar de muitos problemas legais, nomeadamente pesadas multas, a supressão dos direitos civis e ter sido preso.

François Maspero foi forçado a vender, em 1974, a livraria, mas a editora foi preservada através da mobilização de autores e leitores. Em 1982 acabou por vender a editora a François Gèze.

Depois de um acidente de motorizada e uma tentativa de suicídio, Maspero começa a escrever, tendo publicado 15 títulos, romances, e sobretudo guias de viagem, «Le sourire du chat», «Balkans-Transit», «Un voyage au long cours», são alguns dos títulos de maior sucesso.

Paralelamente, realiza reportagens para a Radio France e para o jornal Le Monde, e traduz autores como John Reed, Francesco Biamonti, Alvaro Mutis, Arturo Pérez-Reverte, Carlos Ruiz Zafón e Joseph Conrad, como recorda a Lusa.