Um dos fundadores do jornal satírico «Charlie Hebdo» acusou o editor, Charb, de «arrastar a equipa» para a morte, ao publicar cartoons provocatórios.

Henri Roussel, de 80 anos, que publica com o nome de Delfeil de Ton, escreveu, esta semana, um artigo para a revista francesa «Nouvel Obs», onde acusa Charb de ter conduzido os acontecimentos violentos da semana passada em Paris. O autor pergunta que necessidade tinha o editor de «arrastar» a equipa da redação ao exagero.

«Durante anos, décadas até, foi uma provocação. Um dia, a provocação virou-se contra nós», escreve o co-fundador do jornal que foi vítima de um atentado terrorista em que morreram 12 pessoas.


Para o co-fundador, Stéphane Charbonnier, ou Charb, como era conhecido o editor do jornal «Charlie Hebdo», ultrapassou os limites ao publicar repetidamente imagens do profeta Maomé, um ato considerado extremamente ofensivo para a religião muçulmana.

«Acredito que somos tolos que correram um risco desnecessário. É isso», afirma Henri Roussel,

«Nós achamos que somos invulneráveis».


Roussel ajudou a fazer o primeiro número do jornal, em 1970, quando a publicação ainda tinha o nome de «Hara-Kiri Hebdo».

Quando, em 2011, o jornal «Charlie Hebdo» publicou um cartoon do profeta Maomé na capa com a frase «100 chicotadas se não morreres a rir», e sofreu um atentado com uma bomba incendiária, Roussel escreveu a Charb, e acusou-o de ser o culpado de tudo.

«Ele não o devia ter feito», explica o autor.

O fogo destruiu a redação do jornal, mas, «um ano depois, Charb voltou a fazê-lo», escreve Roussel na revista «Nouvel Obs».

A edição do mês de setembro de 2012 trazia, na capa, Maomé numa cadeira de rodas com a frase «não deves gozar» e, no interior, cartoons do profeta nu.

Charb foi uma das vítimas do ataque ao jornal «Charlie Hebdo», no dia 7 de janeiro. O jornal foi o primeiro alvo de vários atentados violentos que, durante três dias, aterrorizaram Paris e causaram a morte a 17 pessoas.