Eddie Ray Routh, o militar norte-americano acusado de matar o maior sniper dos Estados Unidos, Chris Kyle, poderá não ter as perturbações mentais que a defesa do arguido tem alegado para justificar os seus atos. Esta é a conclusão de uma investigação conduzida pela «Warfighters Foundation», uma fundação norte-americana de combatentes de guerra.

A fundação alega que Routh não ficou traumatizado com as suas experiências nas linhas de combate e que não sofria de stress pós-traumático quando abateu dois colegas a tiro (além de Kyle, também matou Chad Littlefield no mesmo tiroteio). Mais, o organismo divulgou fotografias inéditas do veterano, que pretendem apoiar esta teoria.

Nestas imagens, Routh surge com várias armas na mão, a posar para a câmara com descontração.





A fundação assegura que esta foi a primeira vez que foram realizadas entrevistas aos marines que o conheciam e serviram com ele em Fallujah, entre 2007 e 2009, e no Haiti, em 2010. Segundo as declarações dos mesmos, Routh era violento e imprevisível.

Advogados e testemunhas afirmaram que o veterano tinha assistido a combates no Iraque que o deixaram afetado psicologicamente e que, no Haiti, também teria assistido a cenas muito violentas. Mas os colegas rejeitam estas alegações, afirmando que Routh não só nunca teve nenhuma experiência direta em combate, como também nunca teve de recolher corpos do oceano quando estava no Haiti.

Estas conclusões surgem na véspera do julgamento do antigo militar, marcado para a manhã desta quarta-feira. Agora, Routh está fisicamente bem diferente do homem que se vê nas imagens divulgadas pela fundação. 





A 2 de fevereiro de 2013, Routh abateu Kyle e Littlefield com vários tiros, em Rough Creek. Kyle estaria a tentar ajudar o colega a ultrapassar os problemas mentais que lhe foram diagnosticados pelos próprios médicos do Departamento de Veteranos.

A história de Chris Kyle, o maior sniper de sempre dos EUA, ganhou muita visibilidade nos últimos meses graças ao filme de Clint Eastwood «Sniper Americano», baseado na biografia do antigo SEAL e que está nomeado para os Óscares deste ano.

No cinema, a personagem que dá vida a Eddie Ray Routh aparece apenas por breves momentos. Ainda assim, e através da caraterização da personagem, o espectador tem a perceção de que se trata de um indivíduo frágil, com algum tipo de perturbação mental.