O ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis vai reunir-se com dois responsáveis do Departamento do Tesouro dos EUA, a quem vai apresentar propostas para a resolução dos problemas do país.

Varoufakis reúne-se com os dois norte-americanos na mesma semana em que já discutiu as suas propostas para o futuro da Grécia com os homólogos da França, Itália, Londres e Berlim, nomeadamente, as suas ideias para como lidar com a dívida pública grega e as necessidades de financiamento do país.

Na quinta-feira os dois norte-americanos, Daleep Singh, subsecretário-adjunto para a Europa e Eurasia, e Lea Bouzis, responsável pelos assuntos da Europa e Eurasia, já tinham reunido com o vice-primeiro-ministro Yannis Dragasakis, que os informou dos planos do Governo para combater a crise humanitária na Grécia.

Yanis Varoufakis procura, mais uma vez esta semana, algum apoio para as políticas que quer ver implementadas na Grécia, especialmente depois do «nein» concedido pelo ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que disse ontem que o único consenso encontrado com Varoufakis foi:  «concordar em discordar». O ministro grego diz que nem isso.

Também na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) disse que está disponível para emprestar até 60 mil milhões de euros como medida de urgência aos bancos gregos, um dia depois do banco central ter anunciado que  vai deixar de aceitar títulos de dívida pública grega nas suas operações de financiamento, ou seja, vai deixar de aceitar dívida pública do país como garantia de empréstimos. 
  
A dispensa de requisitos mínimos que estava em vigor até quarta-feira e permitia aos bancos usar títulos de dívida grega nas operações de política monetária do BCE, ainda que não cumprissem os requisitos mínimos de rating, porque a Grécia estava sob programa de resgate.   

Como deixou de ser claro se a Grécia terá que recorrer a novo programa de resgate europeu, o BCE deixou de aceitar os títulos gregos como garantia nas suas operações de refinanciamento.   

A decisão do BCE já levou a um reunião entre o governador do Banco da Grécia, Yannis Stournaras, e o vice-primeiro-ministro, Yannis Dragasakis, onde o governador assegurou que a liquidez do banco central está garantida, bem como todos os depósitos.

Stournaras acredita que a decisão do BCE «pode ser revertida», como já aconteceu no passado.

Uma posição de certa forma «partilhada» pelo grupo financeiro norte-americano Goldman Sachs que acredita que o BCE manterá a sua posição «generosa» para com a Grécia através do fundo de emergência.

Segundo o «To Vima», a Goldman Sachs acredita que o BCE não vai agir de forma «unilateral», mas de acordo com as normas europeias.

O grupo norte-americano continua a não ver como provável uma saída da Grécia da Zona Euro, mas admite que essa possibilidade pode ter aumentado.