O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras admitiu, esta sexta-feira, no parlamento helénico que o governo tinha planos de emergência caso a Grécia fosse forçada a sair da Zona Euro. No entanto, o chefe do Executivo helénico negou as informações que dão conta que o governo engendrou um plano para conduzir o país de volta ao dracma. 
 

“Não desenhámos um plano para levar o país a sair do euro, mas tínhamos planos de emergência. Se os nossos parceiros e credores tinham preparado um plano para a Grexit, não devíamos ter preparado a nossa defesa, enquanto governo?”


No parlamento grego, Tsipras teve de prestar esclarecimentos sobre o polémico "plano B" do Syriza, divulgado pelo jornal  Kathimerini. O diário conservador grego publicou excertos de uma teleconferência na qual o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis explica a investidores internacionais este plano secreto, aprovado pelo líder da Grécia. Um plano que incluía piratear as passwords de contribuintes e empresas e criar um sistema bancário paralelo que poderia usar a moeda antiga.

Tsipras admitiu que o executivo tinha planos de emergência pois essa era a obrigação de um governo responsável. E comparou a necessidade de elaboração destes planos à necessidade de preparação de um país que tem de enfrentar um hipotético cenário de guerra.

Sem se referir diretamente ao "Plano B" de Varoufakis, afirmou que a ideia de uma base de dados que permitiria fornecer passwords aos contribuintes é de “um plano satânico para levar o país para fora do euro”.

Mais, Tsipras não só rejeitou estas acusações como continuou a defender o ex-titular da pasta das Finanças, sublinhando que Varoufakis pode ser acusado de muitas coisas, mas nunca de ter roubado dinheiro aos cidadãos ou de ter desenhado um plano para levar a Grécia para o precipício.

“Varoufakis pode ter cometido erros, todos cometemos. Podem acusá-lo pelo seu plano político, pelas suas declarações, pelo seu gosto em t-shirts, pelas suas férias em Aegina. Mas não podem acusá-lo de roubar dinheiro ao povo grego ou de ter um plano escondido para levar a Grécia para o precipício."



Os esclarecimentos de Tsipras surgem numa altura em que os representantes da troika já estão na Grécia para darem início às negociações com o governo helénico, com vista ao terceiro resgate ao país, que pode chegar aos 86 mil milhões de euros. Atenas e Bruxelas querem que as negociações fiquem concluídas antes da segunda quinzena de agosto.     

O país enfrenta problemas de liquidez e tem de pagar a 20 de agosto mais de 3 mil milhões de euros ao BCE e 1,5 mil milhões de euros ao FMI em setembro. 

Na quinta-feira, o secretário-geral para as Relações Económicas do Ministério dos Negócios Estrangeiros grego, Giorgos Tsipras, disse, durante uma visita à Venezuela, que o seu país sofre uma “catástrofe económica e política”.