A pouco tempo do referendo na Grécia, Varoufakis desdobra-se em entrevistas e comentários.

O ministro grego das Finanças, disse, numa entrevista ao jornal El Mundo, este sábado, que aquilo que estão a fazer com a Grécia "tem um nome: terrorismo".

Já na sexta-feira, Yanis Varoufakis, desmentiu que os bancos gregos estejam a preparar um confisco aos depósitos. A notícia de que a banca, com receio de um colapso financeiro, se preparava para efetuar um corte de 30% nas poupanças foi avançada pelo Financial Times. 

O ministro das Finanças grego,  considerou a notícia um “rumor malicioso”.

Tal como este sábado, a presidente da União Grega de Bancos, Luka Katseli, disse que há uma "alta probabilidade" dos bancos abrirem na terça-feira, ou o mais tardar na quarta-feira, ainda que seja sob controlo de capitais.

Em declarações à estação televisiva privada Mega, Katseli acrescentou que o nível de restrição ao levantamento de dinheiro dependerá da liquidez existente na terça-feira, e que esta, pode por sua vez ser determinada pelas decisões do Banco Central (BCE), que serão conhecidas na segunda-feira.

O Conselho de Governadores do BCE reúne-se na segunda-feira para decidir se oferece ou não liquidez aos bancos gregos através do mecanismo de empréstimos de emergência, congelados na semana passada.


Uma coisa é certa: a partir deste domingo, algo tem que mudar na Grécia


Os gregos vão responder “sim” ou “não”, mas, a questão é muito mais complexa: um voto de confiança ao governo grego que apela ao “não” ou aceitar as condições dos credores e votar “sim”.

Ou seja, no referendo, os eleitores gregos devem aprovar ou rejeitar as medidas de austeridade exigidas pelos credores internacionais - Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu - em troca de ajuda financeira.

Varoufakis afirma, na mesma entrevista ao El Mundo, que se o 'sim' vencer no referendo de domingo, a democracia estará em perigo, pois o medo terá vencido.

O governante acrescenta que se ganhar o 'sim' no referendo, que chamará no domingo os gregos a pronunciarem-se sobre se querem que o Governo aceite as condições impostas pelos credores para o país, um futuro acordo será "absolutamente desastroso", enquanto se ganhar o 'não', o acordo "não será fantástico, mas não tão mau".
 
Divididos, os gregos não sabem o que pensar e o que fazer, numa altura em que começam a faltar alimentos e medicamentos depois de os bancos estarem fechados há uma semana e de, nas palavras, do The Guardian, a economia grega estar “à beira do colapso”.
 
Os bancos têm uma quantia mínima nos cofres para ultrapassar o fim de semana, qualquer coisa com uma média de apenas 90 euros por grego disponível.
 
E, se os bancos estão com os cofres em baixo, os bens alimentares essenciais começam a faltar nas prateleiras dos supermercados com as transações congeladas e a impossibilidade dos fornecedores pagarem aos importadores. Também as farmácias se queixam da falta de stocks.

 Do dinheiro que não sai e do dinheiro que não entra neste país. A instabilidade económica e política na Grécia já levaram ao cancelamento de milhares de férias de estrangeiros nas tão famosas ilhas gregas.

O resultado do referendo de domingo vai ser a chave da reunião do Eurogrupo na segunda. Algo vai mudar – ainda mais – na Grécia. Para onde vão os gregos?

O presidente do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), Klaus Regling, disse esperar “um resultado positivo” no referendo de domingo, na Grécia, porque o país deve continuar a aplicar as “reformas necessárias”.

“Há muita incerteza sobre o futuro da Grécia. Quero que a Grécia faça parte da zona euro e, por isso, espero um resultado positivo neste processo difícil”, disse Regling numa entrevista ao diário grego Ekathimerini.