O governo da Grécia admite convocar novas eleições ou um referendo, caso o seu plano para a dívida e crescimento seja rejeitado pela União Europeia, afirmou o ministro Yanis Varoufakis, numa entrevista ao italiano «Corriere della Sera».

Depois de conseguido o acordo com a União, o governo de Alexis tsipras tem até abril para especificar as reformas a implementar no país, em troca de um novo empréstimo. Medidas enviadas numa carta pelo ministro das Finanças grego, que serão discutidas esta segunda-feira, em Bruxelas.

Caso as medidas sejam «chumbadas», para Varoufakis há outras soluções.

«Poderão existir problemas. Mas, como o primeiro-ministro [Alexis Tsipras] já disse, não estamos colados às cadeiras. Podemos voltar a convocar eleições, ou um referendo», disse Varoufakis ao «Corriere della Sera».

Na mesma entrevista, Varoufakis rejeita qualquer novo empréstimo ao país, ou um terceiro resgate, garantindo que o governo tem dinheiro para «pagar pensões e salários da administração pública».

O ministro criticou, também, o Banco Central Europeu por não deixar que a Grécia emita dívida a curto-prazo, bem como por não comprar dívida grega já, em vez de esperar até ao verão.

Segundo a agência Reuters, num comunicado emitido este domingo, o governo helénico já garantiu que quando Varoufakis falou em referendo estava a falar de medidas fiscais, e não de uma saída do euro, como foi sugerido pelo jornal italiano.

Na entrevista ao «Corriere della Sera», Varoufakis tinha dito, aliás, que uma saída da Grécia da moeda única (Grexit) seria prejudicial para o país, assim como a constante discussão dessa possibilidade. 

«Quem vai investir na Grécia se se fala continuamente de "Grexit", da nossa saída do euro? Falar de "Grexit" é venenoso», acrescentou.