Nos últimos dias, os parceiros europeus que negoceiam com a Grécia uma solução para a crise da dívida helénica têm repetido a mesma frase-feita: a bola está do lado dos gregos; são eles que têm que ceder para que haja o tão esperado acordo.

Na segunda-feira, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, voltou a pôr a bola para o lado de Atenas, mas, na terça, Alexis Tsipras, o primeiro-ministro da Grécia, devolveu-a para o lado da Zona Euro.

O chefe do executivo reconheceu que "é crucial que se alcance um acordo viável", mas que também "é crucial que se ponha fim ao ciclo vicioso, e que não sejamos forçados a aceitar um acordo que, daqui a seis meses, nos deixe na mesma situação".

Para que isso aconteça, diz Tsipras, os credores da Zona Euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm de se entender, porque os estados europeus querem medidas de austeridade sem reestruturação da dívida, enquanto o FMI quer as duas coisas. Para o primeiro-ministro grego, os parceiros europeus "querem um FMI  à-la-carte".

As negociações estão agora num  impasse. A Comissão Europeia diz que só retomará o seu papel de mediador se os gregos apresentarem novas propostas, mas Atenas nega-se a ir na direção que os outros países querem: cortes nas pensões e nos salários, e aumento do IVA em vários produtos.

Com o tempo a esgotar-se - no final do mês, a Grécia tem de pagar 1.600 milhões de euros ao FMI -, os gregos parecem estar a conformar-se com a ideia de que vão perder este duelo. Segundo uma sondagem, cerca de dois terços da população acredita que será o governo grego a ceder para que se alcance o acordo.

Só assim, se evitará a tão temida bancarrota.