Cerca de 10 milhões de gregos decidem este domingo se aceitam ou não as propostas apresentadas pelos credores há mais de uma semana, através de um referendo convocado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras. A escolha entre o "Oxi" (Não) e o "Nai" (Sim) pode ditar não só o futuro da Grécia como o futuro do projeto europeu tal como o conhecemos. E o resultado é impossível de prever. O caos estendeu-se às sondagens que, espelhando um país dividido, não deixam antecipar nenhum resultado.

As urnas fecham às 19:00 (17:00 em Lisboa), antecipando uma longa noite para os líderes europeus e para os principais atores financeiros. As unidades de análise do Barclays e do BNP Paribas, por exemplo, mandaram os seus principais técnicos e analistas apresentarem-se ao serviço a meio da tarde de domingo, para começar a analisar a evolução da votação e desenhar os principais cenários tendo em conta os resultados.




Na última semana, o clima de tensão entre Atenas e os parceiros europeus esteve no centro de todas as atenções. Com acusações de parte a parte, a guerra entre o Governo grego e os restantes líderes europeus intensificou-se, depois de cinco meses de negociações que não chegaram a lado nenhum e do anúncio de um referendo que colocou os credores à beira de um ataque de nervos.

Este sábado, a poucas horas da abertura das urnas, Yanis Varoufakis deixou duras palavras aos responsáveis europeus, acusando-os de "terrorismo". Mais, o titular da pasta das Finanças fez as contas e deixou um aviso: se a Grécia cair, a Europa perde um bilião de euros.

 "É muito dinheiro e não acredito que a Europa o poderia permitir."

Mas o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, admitiu, também este sábado, que a Grécia pode mesmo sair temporariamente da moeda única.  Numa entrevista ao "Bild", Shauble considera que este domingo, os gregos podem estar a escolher entre o euro e o dracma.

"A Grécia é um membro da zona euro, não há dúvidas disso. Quer seja com o euro ou temporariamente sem ele, só os gregos podem responder a esta questão. Mas é claro que não vamos deixar as pessoas penduradas."


"Oxi" ou "Nai", que é como quem diz "Não" ou "Sim", são as únicas respostas que constam no boletim de voto. Mas o que vai acontecer à Grécia depois do dia de hoje conduz-nos a múltiplos cenários.




Alexis Tsipras diz que votar "Não" é uma questão de dignidade. Mais, o primeiro-ministro da Grécia considera que uma vitória do "Oxi" reforça a posição do país helénico na mesa de negociações. Mas uma opinião bem diferente têm os responsáveis europeus, como o presidente do Eurogrupo e o presidente da Comissão Europeia, que já alertaram que um "Não" no referendo é um "Não" à Europa. 

E se o "Sim" ganhar? Yanis Varoufakis já abriu a porta para  uma demissão do governo. Tsipras optou por uma posição mais contida, salientando, contudo, que nenhum acordo é viável sem uma reestruturação da dívida. Se o executivo se demitir haverá novas eleições, mas tudo indica que só ocorram em setembro e, até lá, há mais um pagamento para efetuar, desta feita ao BCE, no final de julho. E se o governo não se demitir após uma vitória do "Sim" é bem possível que os parceiros europeus, que acusaram o executivo grego de  imaturidade, recusem mais negociações com este executivo.

O futuro da Grécia e da Europa estão, por isso, em suspenso. No meio disto, há milhões de gregos a braços com o caos e perante o perigo de um eventual colapso da banca. Os bancos gregos já alertaram que o dinheiro está a esgotar-se. Poderá estar a Grécia próxima de uma crise humanitária? O presidente do Parlamento Europeu quer evitar uma tragédia maior e já admitiu que o país helénico poderá receber  créditos de emergência.