A situação da Grécia deverá marcar a cimeira de líderes europeus marcada para quinta e sexta-feira em Bruxelas, apesar de não estar oficialmente na agenda.

Da agenda oficial do Conselho Europeu, no qual participa o primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho, fazem parte da agenda oficial o reforço do mercado único da energia, a análise das perspetivas económicas e as relações externas, sobretudo a situação na Ucrânia.

No entanto, a Grécia deverá dominar as atenções depois de o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, ter pedido ao presidente do Conselho, Donald Tusk, uma reunião de alto nível à margem da reunião de chefes de governo da União Europeia.

Tusk está assim a organizar um encontro entre Tsipras e o presidente de França, François Hollande, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e ainda o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

A concretizar-se, esta reunião entre os cinco líderes deverá realizar-se na quinta-feira à noite, depois do jantar, segundo fonte diplomática, e consoante as decisões tomadas poderá mesmo alterar o modo como decorrem os trabalhos na sexta-feira.

A tensão sobre a situação grega e mesmo o risco de uma saída da Grécia da zona euro - «Grexit» na contração em inglês - aumentou perante, por um lado, as informações de que não estão a correr bem as negociações com os credores, com Atenas a dizer que estão a ser feitas exigências que não respeitam o acordo alcançado no Eurogrupo de 20 de fevereiro, e por outro lado perante os problemas de liquidez do país.

Na sexta-feira, a Grécia tem de pagar 350 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros 460 milhões de euros a 13 de abril. Ainda na sexta-feira, vencem 1.600 milhões de euros de bilhetes do tesouro, que serão substituídos por uma nova emissão destes títulos a três meses.

O acordo alcançado no Eurogrupo de 20 de fevereiro, que permitiu estender o programa de resgate da Grécia até final de junho, estipula que Atenas apresente e aplique reformas com vista ao desembolso da última parcela do empréstimo, que ascende a 7.000 milhões de euros.

O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, não descartou hoje a saída da Grécia do euro afirmando, em declarações publicadas no jornal alemão Die Welt, que o país não se manterá «a qualquer preço, mas só sob estritas condições que sejam aceitáveis para todas as partes».

As declarações de Moscovici seguem-se a outras do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que alertou que não pode ser excluída uma saída da Grécia da zona euro, falando mesmo numa saída «acidental».

Quanto à agenda oficial da cimeira, que arranca pelas 15:00 (hora de Lisboa), na quinta-feira à tarde é discutida a união energética, com destaque para a segurança do abastecimento e o reforço do mercado interno, seguindo-se um jantar centrado nas relações externas, sobretudo na situação no leste da Ucrânia.

Não são de esperar, para já, decisões em relação a sanções contra os separatistas e a Rússia, nem um endurecimento nem um prolongamento das existentes, como reclama Kiev, devendo o tema ser deixado para a cimeira de junho. Os líderes europeus deverão, em vez disso, reforçar que pretendem a implementação completa dos acordos de paz de Minsk.

Na sexta-feira, o debate será centrado na situação económica, na execução de reformas estruturais nos Estados-membros e nas negociações do acordo de comércio com os Estados Unidos. A situação na Líbia e os esforços para estabilizar o país também serão abordados.

Antes do início da cimeira, o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, participa na reunião de líderes do Partido Popular Europeu, e o secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, estará no encontro do Partido Socialista Europeu.