A zona euro deve ir "muito mais longe" do que o previsto para aligeirar a dívida da Grécia, podendo mesmo ter de perdoar uma parte, estimou o Fundo Monetário Internacional (FMI) num relatório divulgado esta terça-feira.

Este novo documento, enviada aos governos na segunda-feira, horas após o acordo, revê as previsões do FMI lançadas há duas semanas. Porém fonte da União Europeia disse, à Reuters, que os novos números já eram do conhecimento dos líderes europeus no sábado, antes do acordo.

Como escreve a Lusa, a Grécia poderá precisar desde logo de " financiamento excecional" proveniente dos Estados europeus que ultrapasse a fasquia - de 82 a 86 mil milhões de euros - prevista no acordo alcançado entre o executivo de Atenas e a zona euro na segunda-feira, indica ainda o documento, enviado no sábado aos dirigentes europeus.

“A deterioração dramática na sustentabilidade da dívida aponta para uma necessidade de aliviar a dívida a um nível bastante superior ao que está a ser considerado, e ao que foi previsto pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM)", lê-se no documento, segundo a Reuters.

O relatório do FMI considera que a dívida grega é “totalmente insustentável” e prevê que se vai aproximar dos 200% do seu Produto Interno Bruto (PIB) nos “dois próximos anos”, quando atualmente se situa em 175%.

Neste contexto, o FMI prevê que a Europa não terá outra escolha que não aliviar a dívida grega, uma opção contra a qual está a Alemanha. Caso contrário, a instituição sediada em Washington recusa-se a participar na assistência financeira à Grécia.

Ainda segundo a agência Lusa, o mesmo relatório dá conta de que a instituição dirigida por Christine Lagarde submeteu três opções à Europa, a primeira das quais consiste em estender, entre 10 e 30 anos, o “período de carência”, durante o qual a Grécia não terá de reembolsar a sua dívida.

A segunda hipótese passa pela “transferência anual” de fundos para a Grécia e a terceira solução é um “perdão da dívida” pura e simplesmente.

Além da questão da dívida, o FMI prevê que uma degradação da situação da Grécia possa vir a exigir “financiamentos excecionais suplementares” da Europa superiores aos 85 mil milhões de euros do buraco orçamental estimado pelo FMI.