O Banco Central Europeu vai manter a linha de liquidez, no valor de 89 mil milhões de euros, à banca grega, porém desta vez o BCE vai exigir garantias.
 

"O Conselho de Governadores do BCE decidiu manter a provisão da linha de emergência de liquidez ('ELA', na sigla em inglês) para os bancos gregos no nível decidido a 26 de julho, depois de discutir uma proposta do Banco da Grécia", lê-se num comunicado publicado hoje pela instituição liderada por Mario Draghi.


Segundo o comunicado, o BCE decidiu ajustar os "haircuts" dos colaterais aceites pelo Banco da Grécia, isto é, o Banco Central aumentou as exigências nos colaterais dos empréstimos concedidos.

 “A situação financeira da República Helénica tem um impacto nos bancos gregos, já que os colaterais que eles usam na ELA depende de forma significativa a ativos ligados ao Estado. Neste contexto, o Conselho de Governadores decidiu ajustar os “haircuts” nos colaterais aceites pelo Banco da Grécia para a ELA”.


Esta decisão não tem influência no controlo de capitais, e os bancos gregos vão continuar fechados até quarta-feira.

Um decreto publicado há uma semana dizia que os bancos da Grécia iriam permanecer encerrados até 6 de julho, no dia seguinte ao referendo. 

São as consequências do referendo de ontem, onde os gregos expressaram a vontade de rejeitar a proposta dos credores internacionais, que pede mais austeridade em troca da última tranche do empréstimo.
 

Se a Grécia não aceitar reformas "acabou"

 
O presidente do Eurogrupo, e ministro das Finanças holandês, Jeroen Dijsselbloem, escreveu, entretanto, uma carta ao parlamento da Holanda (que discutiu hoje os resultados do referendo grego) onde diz que uma nova ajuda à Grécia terá sempre condições associadas, conta a BBC.
 
Dijsselbloem segue a mesma linha de discurso do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, que afirmou no parlamento que a Grécia terá de aceitar reformas difíceis, se quiser um novo resgate.
 
Segundo a agência Reuters, Rutte foi mais específico e disse que a Grécia deve decidir se quer permanecer na Zona Euro, e que se não aceitar as condições “acabou”.
 


Merkel e Hollande lembram que a Europa já foi "muito generosa"


Já esta quarta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, proferiram uma  declaração conjunta esta tarde, onde pediram ao governo grego que apresente amanhã propostas "sérias e credíveis". 

Angela Merkel afirmou que as portas estão abertas à negociação, porém, lembra Atenas que tem de existir um equilíbrio entre solidariedade e responsabilidade, e que a Europa já foi "muito generosa" com a Grécia. 
 

"Respeitamos voto dos gregos. A Europa é a democracia. Entendemos a mensagem de todos os partidos democráticos da Grécia e o povo, que reafirmou voluntariamente que quer que o país fique no euro. As portas estão abertas à discussão."


Sucessor de Varoufakis contra uma saída da Zona Euro  


Também hoje foi anunciado que Euclid Tsakalotos será o sucessor de Yanis Varoufakis para assumir a pasta das Finanças. 

Doutorado pela Universidade de Oxford, o novo ministro é considerado um moderado pró-europeu, completamente contra uma eventual saída da Grécia da Zona Euro. Tsakalotos tem dirigido as negociações com os credores internacionais para a obtenção de um terceiro resgate financeiro, com menor austeridade. 

Da parte dos credores, a responsável máxima do Fundo Monetário Internacional (FMI) reagiu esta segunda-feira, pela primeira vez, à vitória do “Não” ao resultado do referendo grego. 

Christine Lagarde disse que o FMI já tomou “nota do resultado do referendo” e que a instituição está disposta a prestar ajuda ao governo grego

 “Estamos a monitorizar a situação de perto e estamos prontos para dar assistência à Grécia, se for solicitada".  


EUA apelam a consenso entre gregos e credores


Também os EUA já se pronunciaram sobre toda a questão grega, com fonte da Casa Branca a apelar ao consenso entre o governo de Alexis Tsipras e os credores internacionais. 
  
O porta-voz, Josh Earnest, diz que é do interesse da Europa e dos EUA que a Grécia se mantenha na Zona Euro, e que a crise seja resolvida rapidamente. 
  
Earnest diz que apesar das  “diferenças significativas” é fundamental que ambas as partes reconheçam a importância da permanência do país dentro da moeda única, apelidando a atual crise de um " desafio a resolver”

Por sua vez, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, já contactou por telefone a chanceler alemã Angela Merkel. Após a conversa, ficou acordado que Tsipras  vai apresentar novas propostas amanhã à tarde, na cimeira de líderes.  

Segundo a Reuters, Tsipras terá prometido a Merkel apresentar uma proposta de acordo para um terceiro resgate na próxima Cimeira do Euro, já esta terça feira, em Bruxelas.  

A reunião começa às 17:00, mas antes, às 12:00, haverá uma  reunião extraordinária do Eurogrupo para delinear questões técnicas que serão depois discutidas no encontro.  

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