O governo de Atenas propôs uma nova solução para terminar com o braço de ferro com os credores internacionais: Yanis Varoufakis, o ministro das Finanças da Grécia, abandona o pedido de um perdão da dívida, propondo antes substituir a dívida externa que o país tem por obrigações indexadas ao crescimento da economia e obrigações perpétuas.

As propostas de Varoufakis foram reveladas numa entrevista ao Financial Times. O ministro grego está em Londres, uma visita que faz parte de um périplo pelas capitais europeias, com o objetivo de angariar aliados para uma nova abordagem da crise da dívida grega.

Esta quarta-feira o responsável vai reunir-se com o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi. Quinta-feira Varoufakis reúne com o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Shäuble.

Segundo o responsável, o primeiro tipo de obrigações substituiria os empréstimos europeus à Grécia, trocados por obrigações indexadas ao crescimento nominal da Grécia. O segundo tipo seriam obrigações perpétuas. Ou seja, a Grécia deixaria de ter um prazo para pagar a dívida ao Banco Central Europeu, embora pagasse juros até que a dívida estivesse saldada.

«Direi aos nossos parceiros que estamos a construir uma combinação de excedente orçamental primário e uma agenda de reformas. Direi: Ajudem-nos a reformar o nosso país e dêem-nos algum espaço fiscal para o fazer, sob pena de continuarmos a sufocar e nos transformarmos numa Grécia deformada, ao invés de uma Grécia reformada».


O responsável adiantou ainda que o Governo vai visar os gregos ricos que não pagaram os devidos impostos durante os seis anos em que a Grécia teve um crescimento significativo. «Não vamos parar até conseguirmos», prometeu.
Varoufakis acrescentou que conta apresentar estas propostas, de forma detalhada, aos parceiros europeus no final do mês de fevereiro.

«O que quer que os nosso parceiros pensem do facto de sermos da ala de esquerda radical, nós estamos a ser sérios relativamente às reformas, a sermos bons europeus e bons ouvintes. A única coisa da qual não vamos abdicar é a nossa visão de que este programa [de assistência] tem de ser repensado».

Depois de conhecidas as propostas de Atenas, a bolsa grega está a subir 7%, continuando a atenuar as perdas da semana passada. Desde o início do ano o ATHEX perdeu agora 2,3%, já mais longe  das fortes quedas que assolaram o índice, nomeadamente com o setor da banca, que chegou a perder 40% em bolsa. Também os mercados europeus estão a aliviar.

O périplo de Varoufakis começou em Paris, no passado fim de semana. Esta segunda-feira, o ministro em entrevista ao Channel 4, faz balanço da reunião, em Londres, com o homólogo britânico.   Yanis Varoufakis assegura que vai haver acordo sobre a dívida grega «nas próximas horas ou dias»

Na sexta-feira, num encontro com o presidente do Eurogrupo, o ministro das Finanças da Grécia revelou que o seu país  não quer trabalhar mais com a troika, não estando interessado em prolongar o segundo resgate, mas sim em negociar uma alternativa com a Europa. No sábado, o líder do Syriza e primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou que  «acabar com austeridade não implica quebrar compromissos». Isto depois de a chanceler alemã, Angela Merkel, ter recusado perdoar mais dívida à Grécia. 

França, por seu turno, mostrou-se, este domingo, disponível para ajudar a Grécia a chegar a acordo com a União Europeia. O titular da pasta das Finanças, Michel Sapin, entende que é legítimo para Atenas estar preocupada com o peso da sua dívida e que queira aliviá-la.