A Public Health England (PHE), equivalente em Portugal à Direção-Geral de Saúde, assumiu publicamente nesta quarta-feira, e pela primeira vez, que os cigarros eletrónicos são menos prejudiciais à saúde que os tradicionais.
 
A defesa consta de um estudo independente supervisionado pela PHE e liderado pelos professores Ann McNeill, do King’s College London, e Peter Hajek, do Queen Mary University of London, e que pode ser consultado online, através do site oficial da entidade governamental.
 
Basicamente, três pontos essenciais são destacados pela PHE neste estudo: os cigarros eletrónicos são 95% menos prejudiciais que o fumar tradicional; cerca de metade da população não sabe que os cigarros eletrónicos são menos prejudiciais que os tradicionais; não há provas até ao momento de que os cigarros eletrónicos possam potenciar o ato de fumar entre as crianças e os adultos não fumadores.
 
A entidade pública de saúde acredita mesmo que o consumo de cigarros eletrónicos pode levar ao fim do consumo do tabaco tradicional, apesar de admitir que não estão livres de riscos.
 
A PHE quer, por isso, ver este mercado regulamentado e licenciado de modo que possa chegar ao serviço nacional de saúde, como alternativa de tratamento aos produtos já existentes no mercado, como pastilhas e pensos de nicotina.
 
A diretora clínica do governo britânico, Dame Sally Davies, alerta, no entanto, para o facto de “não haver provas suficientes sobre o uso a longo prazo dos cigarros eletrónicos” e que estes devem ser vistos apenas como uma ajuda aos fumadores que querem deixar o hábito.
 
“Quero ver estes produtos licenciados no mercado. Isto garantiria segurança, qualidade e eficácia aos consumidores que querem usar estes produtos como meios para deixarem de fumar, especialmente no que respeita aos sabores usados, que é onde temos menos informação sobre os riscos de inalação”, afirmou, citada pelo The Guardian.
 
A este respeito dos “sabores”, um outro estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, alertou para um composto chave dos cigarros eletrónicos e dos chamados cigarros “light”, a pirazina, que potencia a adição.
 
A Agência Reguladora dos Produtos Médicos e de Saúde britânica trabalha há mais de dois anos para o licenciamento dos cigarros eletrónicos, o que tem motivado as queixas dos fabricantes, que alegam enormes custos associados ao processo.
 
A PHE defende, igualmente, a monitorização do mercado de cigarros eletrónicos, particularmente dos fabricantes associados às grandes tabaqueiras.