O antigo primeiro-ministro português e ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendeu esta segunda-feira que a solução para o problema demográfico da Europa passa pela imigração e por políticas de apoio à natalidade.

"Nós vamos precisar de pessoas que paguem as pensões dos mais velhos. E a pirâmide, de facto, está completamente invertida. Portanto, temos de ter gente mais nova, e a forma de o conseguir é através de uma gestão adequada e prudente da imigração - com formação, para não formar novos guetos, porque isso é terrível - e também com políticas ativas de apoio à natalidade", declarou.


Durão Barroso assumiu esta posição durante uma conferência promovida pela associação cívica Plataforma para o Crescimento Sustentável, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa, em resposta a uma questão da assistência sobre a pirâmide demográfica europeia, em que os mais velhos ocupam a base, em vez dos jovens.

O ex-presidente da Comissão Europeia começou por afirmar que é preciso "mais gente nova na Europa" e que isso implica "uma boa gestão da questão da imigração", mas referiu que este "é um assunto extremamente delicado e sensível".

"As últimas notícias que recebi, por exemplo, da Alemanha são interessantes. Os alemães estão agora em relação a estes refugiados que estão a vir, estão agora a dar-lhes formação na própria língua", prosseguiu.


Durão Barroso assinalou a importância do domínio da língua do país de destino dos imigrantes, acrescentando: "Aliás, em Portugal, e bem, ao longo dos anos, nós fomos favorecendo a imigração dos países lusófonos. Isso foi bom, é positivo, porque permite uma maior integração. E Portugal, vá lá, nesse aspeto, eu acho que temos muitas razoes de que nos orgulhar".

Mais à frente, disse que "Portugal é um dos pouquíssimos países na europa que não tem movimentos de extrema-direita ou movimentos xenófobos ou partidos racistas", considerando que isso deve ser igualmente motivo de orgulho para os portugueses.

"Nós em Portugal, felizmente, é talvez um dos traços da nossa cultura, até agora, evitámos isso. Isso deve-se muito também à facilidade com que, mesmo quando são etnicamente diferentes, nós conseguimos integrar pessoas do espaço da lusofonia", considerou.


Depois de fazer este enquadramento, o antigo primeiro-ministro concluiu que a Europa deve recorrer a "uma gestão adequada e prudente da imigração" e a "políticas ativas de apoio à natalidade" para ter "gente mais nova", até porque precisa de "pessoas que paguem as pensões dos mais velhos".