O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, sublinhou hoje, em Bruxelas, que, na União Europeia, o direito à privacidade é «fundamental», respondendo a uma questão sobre novas suspeitas de espionagem dos EUA a líderes europeus.

«Nós consideramos, na Europa, o direito ao respeito pela vida privada como um direito fundamental», disse José Manuel Durão Barroso, numa conferência de imprensa após a Cimeira Social Tripartida, após ser questionado sobre eventual escutas - por parte das autoridades norte-americanas a organizações e personalidades internacionais, nomeadamente a chanceler alemã, Angela Merkel.

«Soubemos até recentemente o que é o totalitarismo e o que é a intromissão do Estado na vida privada», sublinhou, exemplificando com a ação da polícia política na ex-República Democrática da Alemanha que «espiava as pessoas quotidianamente».

A questão das escutas norte-americanas a personalidades europeias entrou na agenda da cimeira europeia, que decorre hoje e sexta-feira, em Bruxelas, tendo o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, confirmado que o tema vai ser discutido ao mais alto nível.

O Governo alemão anunciou, na quarta-feira à noite, que o telemóvel da chanceler «poderá ter sido vigiado pelos serviços secretos norte-americanos».

Merkel pediu de imediato explicações ao Presidente Barack Obama, que lhe garantiu que os Estados Unidos não vigiavam as comunicações da chanceler.

Em França, de acordo com o diário Le Monde, que citou documentos do ex-consultor da agência de segurança nacional dos Estados Unidos (NSA) Edward Snowden, foram efetuados 70,3 milhões de registos de dados telefónicos de franceses, entre 10 de dezembro de 2012 e 8 de janeiro passado.

O diretor dos serviços de informações norte-americanos, James Clapper, disse duvidar destes artigos.