O ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso defendeu, esta sexta-feira, que “África é o pulmão do crescimento” económico do mundo e defendeu o investimento europeu no continente africano, com vantagens para ambos.

Nas conclusões de uma reunião que juntou empresários europeus e africanos em Cascais, o atual presidente não-executivo do banco de investimento Goldman Sachs International admitiu que África ainda está atrasada em muitos indicadores.

Mas graças à nova geração em África, graças à inovação e às novas tecnologias, é possível dar grandes saltos no sentido do desenvolvimento. O que demorou décadas na Europa pode demorar anos em África”, disse.

José Manuel Durão Barroso falava na qualidade de presidente do EurAfrican Forum, uma iniciativa do Conselho da Diáspora Portuguesa, que pretende juntar em junho em Cascais líderes empresariais e políticos europeus e africanos para promover o desenvolvimento económico, social e humano.

Empresários de países como a Nigéria, a Etiópia, França, Espanha e Portugal reuniram-se para preparar esse encontro, que visa "fazer de Portugal um centro essencial para o diálogo entre Europa e África", explicou à Lusa Durão Barroso.

Porque é que não estamos a fazer melhor na cooperação entre a União Europeia e África? Como podemos enfrentar a competição de outras entidades neste panorama muito desafiante?”, interrogou-se o responsável.

Na sua declaração final, apontou como uma das principais culpadas “a falta de bom marketing de África: As notícias que aparecem na Europa sobre África são sempre tragédias”.

Por outro lado, o mundo vive hoje “uma situação única na história económica: Há um enorme nível de endividamento, público e privado, e ao mesmo tempo as taxas de juro estão muito baixas, em muitos países até são negativas. Ao mesmo tempo há muito capital, mas as pessoas não sabem onde colocá-lo”, disse Durão Barroso.

“Não é estranho? Ao mesmo tempo África com tanto potencial – o continente do futuro”, questionou, afirmando que alguns investidores preferem pôr o dinheiro no banco, às vezes com taxas negativas, do que investir.

Ainda assim, disse sair da reunião “com uma sensação de confiança e esperança”.

Para Durão Barroso, o continente Africano é “a grande reserva para o crescimento do mundo, porque é menos conhecido. Não tem o mesmo nível de maturidade da Ásia, mas a Ásia já está sobrecarregada de investimento”.

“África é o pulmão do crescimento no mundo e precisamos de crescimento no mundo e na Europa”, disse ainda, defendendo que se construa uma situação com benefícios mútuos, ajudando ao desenvolvimento “para o bem do povo africano, homens e mulheres africanos, rapazes e raparigas”.

“Vamos fazer disto um sucesso em África, mas também uma forma de promover o crescimento da Europa, que precisa de mais crescimento sustentável”, concluiu.

Em declarações à Lusa, Filipe de Botton, presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa, que promoveu o EurÁfrican Forum, explicou que o grande objetivo desta iniciativa é projetar Portugal.

“Que Portugal, que é um país que não cria anticorpos nem na Europa nem em África - antes pelo contrário é visto com carinho - seja uma plataforma que permita desenvolver negócios” e melhorar as relações entre África e Europa.

A ideia não é limitar a discussão aos países de língua portuguesa, mas abrir a todos os países africanos e a toda a Europa.

O objetivo é incrementar a capacidade de fazer negócios, mas “concretamente assinar negócios já no fórum em junho de 2017, em Cascais”, afirmou.

O Conselho da Diáspora Portuguesa, com 84 conselheiros em 22 países, pretende promover a imagem de Portugal através dos portugueses que se distinguiram fora do país, seja nos negócios, na ciência, na cultura ou na cidadania.