Um incêndio que deflagrou na Torre Sulafa, no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, causou algum pânico esta quarta-feira. O fogo foi controlado ao fim de quatro horas. Vários portugueses residem no edifício, mas terão escapado sem ferimentos.

A TVI confirmou que o incêndio na Sulafa Tower, na marina do Dubai, está aparentemente extinto. Nuno Carvalho, um fotógrafo português que reside num prédio vizinho e que presenciou o fogo, assegurou à TVI24 que, cerca das 16 horas em Lisboa (19:00 locais), apenas se mantém as restrições em redor do edifício. Não havia chamas visíveis do exterior.

A rua continua cortada e há entre 200 a 300 pessoas cá fora", relatou ao telefone, Nuno Carvalho.

O fotógrafo de 43 anos, que reside há quatro com a família no Dubai, adiantou também haver portugueses residentes na Sulafa Tower. Poucas pessoas estariam, contudo, no arranha-céus no início do sinistro, dado serem horas da maioria estar a trabalhar.


Existem portugueses no prédio, mas até agora está tudo aparentemente ok. Não existem feridos graves. Os casos mais preocupantes são algumas escoriações provocadas por quedas nas escadas, quando as pessoas saíram do edifício na evacuação, e outros casos de inalação de fumos. Depois existem muitos nervos e choro de pessoas que veem da rua o prédio a arder, sem saber o que se irá salvar", contou Nuno Carvalho à TVI24.

Em causa está o facto de muitos dos residentes no arranha-céus não terem seguro, nem das habitações, nem dos recheios.

Ao contrário do que se passa em Portugal, aqui a lei não obriga a que haja seguros. Por isso, muita gente que aluga os apartamentos pode ficar sem nada”, explicou à TVI24, Nuno Carvalho.

De acordo com informações veiculadas pelas agências internacionais, o fogo de origem ainda não esclarecida terá começado num apartamento do 35º andar.

O português Nuno Carvalho disse, contudo, à TVI24 que as chamas terão irrompido mais perto do topo do arranha-céus, tendo-se depois propagado ao meio do edifício, devido à queda de materiais em chamas.

Posso dizer que terá começado sensivelmente no andar 70 e depois, porque estava bastante vento, surgiu um segundo fogo no andar 25, mais ou menos. Isso deve-se ao facto de terem caído placas inteiras da fachada do prédio, plásticos, dos andares de cima”, explicou Nuno Carvalho.

Causas ainda desconhecidas

Pela avaliação do português residente num edifício próximo da Sulafa Tower, o fogo terá destruído as residências de umas duzentas a trezentas pessoas.

Incêndios em torres habitacionais no Dubai são frequentes. Em fevereiro do ano passado ocorreu um num arranha-céus de 79 pisos e no Sulafa Tower, o 23.º mais alto da cidade, já tinha deflagrado um outro fogo em junho de 2012.

Estive à conversa com um inglês que me dizia estar devastado por ter trocado de prédio a seguir ao incêndio de há dois anos e agora estar neste onde voltou a acontecer um novo incêndio”, contou Nuno Carvalho à TVI24.

Até ao momento, são ainda desconhecidas as causas do incêndio. Mas ocorrências anteriores foram provocadas por descuido, muitas vezes de fumadores de shisha, os tradicionais cachimbos de água.

O incêndio que ocorreu há ano e meio foi provocado por uma shisha. Mas por vezes pode ser também devido a um cigarro mal apagado, atirado pela janela ou por cozinhados ao lume”, enumerou Nuno Carvalho.