Foi às oito! Oito horas da manhã locais, em Montevideu - 12:00 horas em Portugal - que o Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (IRCCA) divulgou a lista das 16 farmárcias do país que tinham marijuana para venda. E começou a correria...

... Assim começou a venda legal de marijuana para uso recreativo no Uruguai, na quarta-feira, sendo que o produto esgotou nas farmácias.

É a primeira vez no mundo que esta droga é produzida sob controlo do Estado, tendo como principal objetivo a mudança da politica das drogas. Segundo o jornal El País, apenas cinco mil uruguaios estão autorizados a comprar o produto e para tal têm de estar previamente registados no sistema.

Para um consumidor e cliente estar registado tem de ser cidadão do Uruguai ou residente local. O registo no sistema é feito através da impressão digital, o que permite aos consumidores comprar marijuana para uso pessoal, sem ter de apresentar um documento de identificação no ato de compra.

"Comprar bilhetes para a final de futebol"

Em Montevideu, capital do Uruguai, apenas quatro farmácias estavam na lista de vendedoras. Na cidade, onde vive metade da população do país, a droga esgotou antes do fim do dia. Nalgumas farmácias, passadas poucas horas, já não havia marijuana para vender.

Mal tinha começado o dia e já havia filas de pessoas em frente aos locais de venda, para comprar os dois tipos de canábis que o Estado colocou à venda, a saber, Alpha e Beta I, com idêntico nível de psicotoxicidade.

Sandra, que se apresentou ao El País como uma consumidora de canábis que não fumava desde 1986, a venda livre foi como “estar numa fila para comprar bilhetes para a final do campeonato de futebol, no único local de vendas”.

Embora as duas qualidades de droga sejam diferentes em termos de composição, ambas apresentam uma percentagem de psicoatividade que ronda os 2%.

"Consumidores esperavam ansiosamente"

No Uruguai, a canábis é vendida em embalagens seladas contendo cinco gramas, com uma série de recomendações e diretrizes para os consumidores.  

A lei uruguaia estipulou que os consumidores podem comprar, no máximo, 40 gramas de canábis por mês. O que equivale ao consumo de dez gramas semanais. Relativamente ao preço, o Estado fixou cerca de 1 euro e 20 cêntimos por grama.

Um número significativo de consumidores esperava ansiosamente por este momento”, disse o sociólogo Martín Collazo ao El País, que pertence à equipa multidisciplinar de investigação sobre a regulamentação das drogas no Uruguai, a Monitor Cannabis.

De acordo com dados recolhidos pela equipa, 160 mil pessoas consomem canábis  no Uruguai.

Algumas farmácias do país não concordaram com este avanço do Estado e até colocaram cartazes nas portas em que se podia ler “não se vende canábis”.

A lei foi promulgada pelo ex-presidente uruguaio, José Mujica, que defende que “o Uruguai está a testar um caminho”.

Não há nenhum vício que seja bom. Mas sinto-me mal ao condenar-se uma planta maravilhosa”, disse Mujica a uma televisão uruguaia.