Dezenas de pessoas morreram, incluindo mulheres e crianças, num ataque químico no bastião rebelde sírio de Douma, perto da capital, Damasco. A denúncia parte de várias organizações não governamentais e médicos no local.

Segundo os Capacetes Brancos, ONG dedicada ao resgate de vítimas das zonas sob controlo dos rebeldes, registaram-se pelo menos 40 mortos e centenas de feridos devido à utilização de “gás cloro tóxico”.

Já a organização médica síria e americana, outra ONG, falou num total de 41 mortos e também em centenas de feridos.

Por sua vez, o Observatório Sírio de Direitos Humanos assegurou que morreram 80 civis, metade dos quais devido a asfixia resultante do colapso das infraestruturas (inclusive de abrigos).

Médicos que assistiram as vítimas garantem que os sintomas e ferimentos apresentados sugerem a exposição a compostos organofosforados.

O ataque ocorreu perto de zonas com bombas daí que se tenha espalhado muito rapidamente. O gás estava concentrado num local onde as pessoas achavam que estavam seguras", afirmou um paramédico, que assistiu as vítimas, citado pelo The Guardiam

Fotografias e vídeos das equipas de socorro no local mostraram imagens gráficas de cadáveres de crianças e adultos, muitos espumando da boca. 

Os Estados Unidos também denunciaram o ataque e a “proteção incondicional” da Rússia ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, exigindo o “fim imediato” deste apoio.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos adiantou que os bombardeamentos em Douma foram retomados de madrugada, após uma breve pausa. Segundo esta organização não-governamental, os ataques aéreos tiveram uma interrupção de cerca de duas horas, intervalo que terá coincidido com o reinício das negociações entre a Rússia, a Síria e o Exército do Islão, que controla Douma.

A ONG relata, contudo, que de madrugada já se registaram bombardeamentos e ataques com mísseis e explosivos contra a cidade.

A agência oficial síria, SANA, negou qualquer responsabilidade das forças sírias e assegurou que "as denúncias do uso de substâncias químicas em Douma são uma tentativa clara de impedir o progresso do exército", que na sexta-feira iniciou uma ofensiva contra os rebeldes naquela zona.

A Rússia também já veio negar que o regime sírio tenha usado armas químicas em Douma.

Nós negamos veementemente essa informação”, disse o general Yuri Yevtushenko, chefe do departamento russo que está em negociações sobre o conflito na Síria, citado por agências noticiosas russas.

O responsável acrescentou que, “assim que Douma for libertada”, a Rússia enviará para o local “especialistas em armas nucleares, químicas e biológicas para recolherem dados que confirmem que as acusações [dos Estados Unidos] são falsas”.

 

Autoridades sírias anunciam acordo para saída de rebeldes 

Entretanto, as autoridades sírias anunciaram este domingo que chegaram a um acordo com o grupo Exército do Islão para pacificar Douma.

A agência oficial Sana afirmou que o acordo implica a retirada completa dos “sequestrados” de Douma, em alusão aos civis, em troca da saída dos “terroristas” do Exército do Islão para Jarabulus, no norte da província de Alepo, na fronteira com a Turquia.

O acordo foi alcançado depois de dois dias de uma ofensiva em Duma por parte das forças leais ao presidente da Síria, Bachar al Assad.