Os separatistas que ocupam edifícios e as ruas no leste da Ucrânia afirmaram, esta sexta-feira, que não vão obedecer ao acordo internacional alcançado em Genebra e abandonar os seus postos até que a sua segurança esteja garantida.

O acordo internacional alcançado ontem, pelos Estados Unidos, Rússia, Ucrânia e União Europeia, em Genebra dita o desarmar de todos os grupos armados e o abandono de todos os edifícios e ruas ocupadas no leste da Ucrânia.

O governo de Kiev comprometeu-se a preparar uma lei que garante amnistia aos separatistas, ainda que a luta para os retirar dos seus postos vá continuar.

O acordo é visto como uma surpresa, uma vez que ainda não se sabe o que terá demovido o governo da Rússia a aceitá-lo e a concordar com o apelo ao desarmamento dos separatistas. Apesar de tudo, a Rússia continua a negar que tenha orquestrado os planos dos rebeldes.

Segundo a agÊncai Reuters, após uma reunião, os separatistas em Slaviansk decidiram que não abandonarão o posto da polícia ocupado, mesmo com o acordo.

«Não vamos abandonar o edifício independentemente do que está a ser acordado [em Genebra], porque sabemos qual é a situação real do país e não vamos sair até que o nosso comandante nos dê ordens para isso», afirmou Anatoly, um dos separatistas.

Em Slaviansk, os rebeldes continuam em controlo, monitorizam as ruas e revistam os carros em «checkpoints» montados por toda a cidade.



O autodeclarado líder de todos os separatistas da região e chefe da autoproclamada República Popular de Donetsk, Denis Pushilin, também afirma que não se vê abrangido pelo acordo, uma vez que o representante russo da reunião, Sergei Lavrov, não defendeu os interesses dos rebeldes pró-russos.

[O ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov] «não assinou nada por nós, ele assinou em nome da Federação Russa», disse Pushilin aos jornalistas em Donetsk.



O autodeclarado chefe de Donetsk reafirmou, ainda, que o presidente ucraniano que tomou posse em fevereiro deve abandonar o cargo, uma vez que o conseguiu «ilegalmente».



No entanto, esta não é a opinião de Alexei, um outro separatista em Slaviansk, que reconhece que o acordo alcançado em Genebra pode ter alterado a situação dos rebeldes.

«Ao que parece, Vova [diminutivo de Vladimir Putin] não gosta tanto de nós como pensávamos», afirmou Alexei, à Reuters, numa clara crítica à falta de intervenção russa pelos separatistas.

O governo da Ucrânia prometeu devolver o poderes às regiões e proteger os direitos da população, bem como legalizar o uso da língua russa especialmente nas regiões mais a este do país. No entanto, rejeita uma estrutura federal para a Ucrânia, que considera uma fragilidade e um pretexto para constantes interferências da Rússia, que eventualmente «partirá» o país.

Por sua vez o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o secretário de estado John Kerry, estão confiantes que o acordo de Genebra vai ter efeito, mas avisaram que manterão os planos de impor mais sanções à Rússia caso não existam resultados.



O acordo de Genebra não mencionou em qualquer parte a anexação da península ucraniana da Crimeia, pela Rússia, o caso que despertou a revolta que se mantém no este do país.

Quando questionados sobre esta matéria, os líderes ocidentais afirmam que o assunto não está esquecido e que continuam a considerar a anexação por parte da Rússia como ilegal.