“Aceitar mais refugiados é um gesto importante de verdadeira solidariedade”, disse Tusk, salientando ser atualmente necessária “uma distribuição equitativa de pelo menos 100 mil refugiados pelos Estados-membros”.

“Apelo a todos os dirigentes da UE para demonstrarem solidariedade com os Estados-membros que enfrentam uma vaga migratória sem precedente”, salientou Tusk, que falava, em conferência de imprensa, após uma reunião conjunta com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban.

Antes, o presidente do Conselho Europeu, discursando perante os embaixadores da UE, tinha alertado para o risco de uma divisão Este/Oeste por causa do acolhimento aos refugiados.

Em julho, o Conselho Europeu recusou uma proposta da Comissão Europeia de estabelecer quotas obrigatórias para reinstalação e recolocação de refugiados, tendo os chefes de Estado e de Governo dos 28 chegado a acordo para o acolhimento de 32 mil pessoas oriundas da Síria e da Eritreia, aquém das 40 mil propostas pelo executivo comunitário, em maio.

 

"Problema não é europeu, é da Alemanha"

Já o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, considerou que a crise de migrantes é um problema alemão e não europeu, garantindo que ao seu governo cabe apenas registar as pessoas.

Em conferência de imprensa, em Bruxelas, Orban afirmou que o “problema não é europeu, é um problema da Alemanha” porque “ninguém quer ficar na Hungria, nem na Eslováquia, Polónia ou na Estónia”, mas sim ir para a Alemanha.

“O nosso trabalho é apenas registá-los”, notou o chefe do executivo, numa altura em que centenas de refugiados e migrantes invadiram um comboio na principal estação internacional ferroviária de Budapeste, entretanto reaberta.

Comissão Europeia quer triplicar número de refugiados

Segundo o diário espanhol, Jean-Claude Juncker vai propor que os estados-membros acolham mais 120 mil refugiados do que os 40 mil que foram propostos em maio. Assim, o número total de refugiados a serem distribuídos pelos países deverá ascender aos 160 mil.

A medida deverá ser anunciada no discurso sobre o Estado da União, na próxima semana, no Parlamento Europeu. 

Missão Naval da UE deve atacar traficantes de seres humanos

Também esta quinta-feira, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, afirmou esperar que a operação naval da União Europeia no mar Mediterrâneo comece, nas próximas semanas, a atacar diretamente os traficantes de migrantes.

Após uma reunião dos ministros da Defesa, no Luxemburgo, Federica Mogherini referiu haver já um “amplo consenso” para que a operação naval comunitária passe a uma fase mais ofensiva.

“Observo um amplo consenso sobre a necessidade de começar a fase dois da operação.”