O presidente do Conselho Europeu manifestou-se esta quinta-feira "mais otimista" quanto a um compromisso com o Reino Unido, no contexto do denominado Brexit, o referendo que irá determinar a permanência ou não do país na União Europeia (UE).

Na conferência de imprensa no final do primeiro de dois dias cimeira dos chefes de Estado e de Governo da UE, Donald Tusk saudou o "progresso significativo" alcançado na questão Brexit, por os Estados-membros "concordarem em trabalhar juntos".

"É nossa intenção trabalharmos em comum para encontrar uma solução para as quatro áreas" que o Reino Unido quer ver reformadas (mercado único, imigração de cidadãos comunitários, competitividade e integração europeia), afirmou Tusk, assumindo que, para "alguns Estados-membros, os benefícios sociais é a área mais difícil, mais delicada".


Em causa está a proposta de os cidadãos de outros Estados-membros receberem benefícios depois de quatro anos a viverem e trabalharem no Reino Unido.

"Temos que respeitar o pedido, mas também respeitar as necessidades de alguns Estados-membros", resumiu o líder do Conselho Europeu, referindo que a colaboração para uma solução é o "trabalho que tem que se fazer desde hoje até à reunião do Conselho Europeu de fevereiro".


Tusk reafirmou, porém, que o conselho e a comissão terão que ser "duros quanto a limites e valores fundamentais", garantindo que "não se irá desistir da liberdade de circulação e do princípio de não discriminação".

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, argumentou, por seu lado, que todas as quatro questões "são delicadas".

Sobre a questão das migrações, Tusk destacou a "falha na proteção das fronteiras externas" da UE.

"Esta noite, estamos mais otimistas: todos os líderes concordaram em defender Schengen", resumiu o dirigente, referindo que até final de junho de 2016 os 28 terão de tomar uma posição sobre a proposta de Bruxelas para a criação de uma guarda europeia costeira e fronteiriça, que poderá, excecionalmente, intervir num Estado Membro sem que este dê aval.


Por seu lado, Juncker informou que o executivo comunitário fará durante o primeiro semestre de 2016 uma proposta para alterar o sistema de Dublin referente a asilo e um texto sobre migração legal.