O Presidente dos Estados Unidos voltou a atacar a comunicação social, num comício na Pensilvânia, nordeste do país, no qual identificou os jornalistas como a sua verdadeira oposição.

As eleições intercalares no estado, em novembro, que opõem o republicano Lou Barletta e o democrata Bob Casey, ficaram esquecidas nas acusações contra a comunicação social, proferidas no comício na localidade de Wilkes-Barre, na presença de milhares de apoiantes.

"O que aconteceu à imprensa livre? O que aconteceu ao jornalismo honesto?", disse, apontando para os 'media' presentes no fundo da sala. "Eles só inventam histórias", declarou.

Trump criticou repetidamente os meios de comunicação social por desvalorizarem os êxitos do Presidente norte-americano e duvidarem da sua liderança política. "Só há histórias negativas feitas por aqueles mentirosos ali atrás", afirmou, numa referência aos jornalistas.

Cada vez que Trump lançava uma crítica, a multidão aplaudia e gritava contra os jornalistas, que se encontravam ao fundo da sala.

A intervenção de Trump realizou-se algumas horas depois da porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, ter recusado distanciar-se da declaração prévia do Presidente, de que a imprensa é "o inimigo" do povo norte-americano.

Questionada durante um encontro com a imprensa na Casa Branca sobre estas declarações, Sanders limitou-se a dizer que Trump "já deu a conhecer a sua posição".

Num aceso debate com os jornalistas, Sarah Sanders apresentou uma série de queixas contra a imprensa, que acusou de aumentar a tensão no país.

"Tanto quanto sei, sou a primeira porta-voz na história dos Estados Unidos que precisou de proteção dos serviços secretos", afirmou Sanders, acusando os 'media' de continuarem "o ataque verbal contra o Presidente e contra todos na sua administração".

O comício foi dominado pela defesa dos êxitos alcançados e das convicções de Trump, na defesa de fronteiras mais seguras, na diplomacia com a aproximação ao Presidente russo, Vladimir Putin, ou com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

O Presidente norte-americano congratulou-se com o crescimento económico, que garantiu, sem apresentar provas, que beneficia os trabalhadores das indústrias em estados como a Pensilvânia, de acordo com a agência Associated Press.

Sobre a campanha para as presidenciais de 2020, Trump brandiu a sua nova palavra de ordem: "Keep America Great Again" [Manter a América Grande].

O comício decorreu um dia depois de Trump ter declarado que o procurador-geral dos Estados Unidos devia terminar "agora mesmo" a investigação federal à campanha presidencial de 2016.

Sanders explicou que a declaração de Trump, na rede Twitter, "não era uma ordem". "É a opinião do Presidente", justificou a porta-voz.