O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, tomaram esta quarta-feira chá juntos, acompanhados pelas mulheres, no arranque de uma visita de Estado do líder norte-americano à China.

A Cidade Proibida, um antigo complexo imperial situado no coração de Pequim, está normalmente repleto de turistas, mas hoje encontra-se vazio para receber Trump.

Os líderes das duas maiores economias do planeta terão hoje e quinta-feira várias reuniões, centradas em questões comerciais e no programa nuclear da Coreia do Norte.

Trump aterrou em Pequim horas após ter feito um discurso na Assembleia Nacional da Coreia do Sul, onde voltou a pressionar a China a parar de apoiar a Coreia do Norte. Pequim é o principal aliado diplomático e parceiro comercial de Pyongyang.

A visita ocorre também numa altura de crescente tensão entre Washington e Pequim em torno de questões como acesso ao mercado e transferência de tecnologia.

Os EUA acusam a China de recuar nas promessas de abrir mais o seu mercado e, na semana passada, Trump afirmou que o déficit norte-americano na balança comercial com Pequim - 347 mil milhões de dólares em 2016 - "é tão mau que dá vergonha".

Não quero envergonhar ninguém quatro dias antes de aterrar na China, mas é horrível", afirmou.

O governo de Trump subiu os impostos sobre as importações de folha de alumínio, aço inoxidável e contraplacado chineses, e lançou uma investigação para averiguar se Pequim exige indevidamente que as empresas estrangeiras transfiram tecnologia, em troca de acesso ao mercado.

A visita ocorre também num período em que Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, vivem momentos políticos opostos.

Em Pequim, Trump, que se depara nos EUA com uma baixa taxa de aprovação pública, será recebido pelo mais forte líder chinês em décadas, um estatuto comprovado durante o XIX Congresso do Partido Comunista (PCC), realizado no mês passado.

O nome e teoria de Xi Jinping foi acrescentado à constituição do PCC, colocando-o no patamar de Mao Zedong, fundador da República Popular, e Deng Xiaoping, o arquiteto-chefe das reformas económicas que transformaram a China.

Durante o XIX Congresso, Xi prometeu mais abertura económica, mas mencionou também planos para que as empresas estatais dominem em áreas como finanças, energia e telecomunicações.

Pequim está a lançar um plano designado "Made in China 2025", para transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades nos setores de alto valor agregado, incluindo inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Citado pela agência Associated Press, o diretor da Camara do Comércio dos Estados Unidos na China, William Zarit, disse que algumas empresas estão preocupadas que Trump faça pouco para resolver "questões estruturais", nomeadamente o acesso limitado a áreas como finanças e saúde.

Grupos de empresários advertiram que os esforços de Pequim para blindar as suas empresas à concorrência em setores como carros elétricos e energia renovável estão a alimentar sentimentos negativos para com a globalização.

Uma possível reação dos EUA será "fechar certos setores da indústria, que estão atualmente abertos a investimento chinês", afirmou Zarit.

Sei que não queremos assistir a qualquer tipo de lógica olho por olho, dente por dente, que poderia acabar numa guerra comercial", acrescentou.

Economistas chineses alegam que a China não é culpada pelos problemas dos EUA e afirmam que as multinacionais beneficiam da mão-de-obra barata chinesa e do emergente mercado de consumo do país.

A destruição de empregos no setor manufatureiro dos Estados Unidos não se deve às exportações chinesas, mas à deslocação de fábricas para países com salários mais baixos, disse Sun Lijian, economista na Universidade de Fudan, em Xangai, "capital" económica da China, citado pela AP.

"No final, são as empresas norte-americanas que acumulam mais lucros", afirmou.