O presidente norte-americano, Donald Trump, avisou esta terça-feira a Coreia do Norte de que “é melhor não fazer mais ameaças aos Estados Unidos” ou “elas terão como resposta fogo e fúria como o mundo nunca viu”.

Trump emitiu a advertência durante uma sessão sobre dependência de opiáceos que decorreu no seu campo de golfe em Bedminster, Nova Jérsia, onde se encontra de férias.

O ministério da Defesa japonês e a imprensa norte-americana divulgaram esta terça-feira que a Coreia do Norte foi bem-sucedida na produção de ogivas nucleares miniaturizadas que cabem dentro dos seus mísseis, o que constitui um marco nos esforços de Pyongyang para se tornar uma potência nuclear de pleno direito.

Antes da nova ameaça de Donald Trump, o presidente usara a rede Twitter para louvar o que considera ser uma noção de mais países de que a Coreia do Norte constitui uma ameaça. Sobretudo, após a votação unânime do Conselho de Segurança das Nações Unidas impondo novas sanções ao regime de Kim Jong-un.

"Perigoso e imprudente"

Após as novas sanções impostas pelas Nações Unidas, a Coreia do Norte voltou a ameaçar retaliar contra os Estados Unidos através de recursos militares.

A resposta de Trump surgiu esta terça-feira, mas não convenceu certos observadores norte-americanos que analisam a questão coreana.

É perigoso e imprudente e contraproducente para Donald Trump ameaçar aniquilar a Coreia do Norte", sustenta Daryl Kimball, chefe da Associação de Controlo de Armas, com sede em Washington, para que é antes necessário "um diálogo para reduzir a tensão e evitar erros de cálculo catastróficos".

Em contraponto, há quem esteja plenamente convencido de que a Coreia do Norte já tem capacidade para atingir cidades dos Estados Unidos com uma ogiva nuclear.

Não tenho a menor dúvida de que esses mísseis funcionam", sustenta Jeffrey Lewis, do Middlebury Institute of International Studies, igualmente citado pelo jornal britênico The Guardian, para quem "a Coreia do Norte pode colocar uma arma nuclear na cidade de Nova Iorque".

Ataque a Guam

Já depois das advertências de Donald Trump, militares norte-coreanos afiançaram estar a "examinar cuidadosamente" um plano para atacar com mísseis a ilha norte-americana de Guam, no oceano Pacífico.

Um porta-voz do exército, numa declaração publicada pela agência noticiosa estatal norte-coreana KCNA, afirmou que o plano de ataque será "posto em prática de forma consecutiva" assim que o líder Kim Jong-un o decida.

Outro militar é citado como tendo avisado que a Coreia do Norte poderá avançar para um ataque preventivo caso os Estados Unidos mostrem sinais de provocação.