O mais que provável candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump, disse na terça-feira que está disposto a falar com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, para acabar com o programa nuclear do país comunista.

Em entrevista à agência Reuters, o milionário não deu detalhes sobre o que sugeriria naquela conversa, mas disse estar aberto a negociações com Pyongyang.

 

“Eu falaria com ele. Não tenho nenhum problema em falar com ele”, garantiu Donald Trump.

Questionado sobre se iria incutir bom senso ao líder norte-coreano, Trump arriscou: “Absolutamente”. 

Pressionar a China

O pré-candidato republicano disse também que pressionaria a China, o único grande aliado da Coreia do Norte: "A China pode resolver o problema com um encontro ou com um telefonema”.

“Colocaria imensa pressão sobre a China, porque economicamente temos um tremendo poder sobre a China. As pessoas não têm noção disso”, realçou Donald Trump.

Um jornalista argumentou que a Coreia do Norte tem armas nucleares, mas Trump respondeu que sabe disso e que a China também as tem. 

Os primeiros testes nucleares da Coreia do Norte realizaram-se em 2006, contra tratados internacionais, e desde aí o regime de Pyongyang tem feito repetidas ameaças de ataques contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos.

A disposição de Donald Trump contrasta com a atual política de Barack Obama de isolar o ditador da Coreia do Norte. O Presidente dos EUA deixou a tarefa de lidar com Kim Jong-un para diplomatas do país com experiência nesse tipo de temas.

Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte

A missão permanente da Coreia do Norte para as Nações Unidas não fez, até ao momento, qualquer comentário sobre as declarações do Donald Trump.

Trump foi mais cuidadoso nas suas apreciações sobre o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, líder muitas vezes elogiado pelo muito provável candidato republicano.

“O facto de que tenha falado bem de mim não será uma vantagem numa negociação. De facto, não o ajudará em nada”, afirmou Trump, que disse desaprovar a ação militar do Presidente russo na Ucrânia.

Já em relação ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, Donald Trump sublinhou que tem "imensos problemas", mas “tem a certeza de que iria ter uma boa relação com ele”.

As declarações de Trump à agência Reuters surgem depois de ter dito ao canal privado britânico ITV que seria muito improvável manter uma boa relação com David Cameron, depois de o primeiro-Ministro britânico o ter criticado pela proposta de banir temporariamente todos os muçulmanos dos Estados Unidos.

Críticas imediatas dos democratas

As declarações de Donald Trump provocaram críticas imediatas no lado democrata. Um dos conselheiros de Hillary Clinton, favorita na corrida à nomeação democrata paras as presidenciais dos EUA mostrou-se surpreendido com as mais recentes tomadas de posição de Donald Trump.

“Deixem-me ser claro: Donald Trump insulta o líder do país que é o nosso maior aliado e depois vira-se e diz que gostaria muito de falar com Kim Jong-un?”, questionou Jake Sullivan.

“Trump parece ter uma bizarra fixação com estrangeiros poderosos como Putin e Kim. Mas a sua abordagem à política externa não faz qualquer sentido”, disse ainda o conselheiro de política externa de Hillary Clinton.

Donald Trump garantiu ainda que na sua agenda enquanto Presidente estaria a intenção de renegociar o acordo sobre o clima, conseguido por 195 países em Paris, e que considera ter sido injusto para os EUA.

O pré-candidato republicano revelou ainda ter a intenção de pôr fim à regulamentação financeira, colocada em vigor depois da crise financeira de 2007e 2008, no sentido de tentar reduzir os riscos do sistema financeiro norte-americano.