As frases polémicas de Donald Trump têm sido uma constante nesta corrida à Casa Branca e causado embaraço dentro do próprio Partido Republicano. Recordemos alguns exemplos: Trump criticou várias vezes os imigrantes, admitiu construir um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, afirmou que se as vítimas dos atentados em Paris tivessem armas teriam tido hipóteses de se defenderem, sugeriu que os chineses criaram o aquecimento global e, mais recentemente, acusou Barack Obama de ter fundado o Estado Islâmico. Todavia, agora que estas eleições se fazem a dois e que as últimas sondagens dão avanços importantes a Hillary Clinton, Trump tenta uma nova estratégia: um pedido de desculpa pelas “coisas erradas” que disse.

“Às vezes, no calor do debate e falando sobre diversos assuntos, não escolhes as palavras certas e dizes as coisas erradas. Eu já fiz isso. E, acreditem ou não, arrependo-me disso. E arrependo-me particularmente quando isso magoou os outros. Há demasiado em jogo para sermos consumidos por estes assuntos.”

Trump arrepende-se, mas não se sabe exatamente do quê. O candidato não especificou quais foram as "coisas erradas" que disse. Deixou apenas uma promessa: dizer sempre a verdade.

“Uma coisa eu vos prometo: eu digo sempre a verdade.”

O arrependimento foi expressado esta quinta-feira num comício na Carolina do Norte e terá surpreendido os presentes. 

O magnata que fez fortuna no setor do imobiliário passou o último ano a fazer ataques ferozes e discursos sem meias palavras. Ainda em maio, numa entrevista ao radialista Don Imusin, tinha admitido que gosta de não se arrepender de nada. “Tu fazes coisas e dizes coisas. Francamente, o que eu disse é o que disse”, afirmou na altura.

Agora, porém, as circunstâncias são outras. As primárias já lá vão e neste duelo final com Clinton as sondagens não lhe são favoráveis. Trump decidiu descer o tom. O objetivo parece ser claro: tentar conquistar outras franjas do eleitorado, as que foram visadas e as que não se revêm nas suas críticas.

A mudança de estratégia também não pode ser dissociada da nova equipa que está agora responsável pela sua campanha. Depois de o seu diretor de campanha, Paul Manafort, ter sido acusado de estar envolvido num processo de corrupção na Ucrânia, o republicano decidiu mexer na equipa. Stephen Bannon, director do site conservador Breibart News LLC, tornou-se diretor executivo da campanha e Kellyanne Conway gestora da campanha.