Sem dar tréguas à sua conta na rede Twitter, Donald Trump partilhou uma mensagem divulgada pela cadeia de televisão Fox News, que obtivera e divulgara uma "informação classificada" sobre movimentações militares norte-coreanas registadas por satélites dos Estados Unidos.

Terça-feira, no programa "Fox and Friends", a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Nicky Haley, recusara-se a comentar a informação obtida de fontes anónimas por parte da cadeia de televisão, segundo a qual os satélites tinham registado os norte-coreanos a embarcar mísseis de cruzeiro para um navio patrulha.

Não posso falar sobre nada que esteja classificado e se isso está num jornal é vergonhoso", assumiu a embaixadora no programa de televisão, acrescentando a sua preocupação face a fugas de informação de dentro da administração norte-americana: "É daquelas coisas que não entendo o que se passa. Mas digo que é extremamente perigoso quando chegam assim à comunicação social".

Só que, ao contrário de Nicky Haley, o presidente não foi tão cauteloso. Horas antes da embaixadora estar na Fox News, o presidente partilhou o furo jornalístico da televisão na sua conta de Twitter, numa altura em que, mais uma vez, voltou a advertir o regime norte-coreano.

Informação perigosa

Até ao momento, segundo refere a cadeia de televisão CNN, a Casa Branca ainda não comentou a situação. Mas os opositores de Donald Trump não perderam tempo.

É alarmante a facilidade com que o presidente Trump partilha informação classificada", disse o deputado democrata Ted Lieu, em declarações à CNN, para quem. "lá porque algo está na imprensa não deixa de ser sigiloso. E o presidente não devia partilhar informação classificada só porque é presidente".

Veterano da guerra no Iraque, Will Fischer também atacou o presidente, mais ainda porque o seu recém-empossado chefe de gabinete, John Kelly, é um militar.

É absolutamente aterrador ver informação que a embaixadora Kelly considerou perigosa para ser publicada partilhada por Donald Trump", adiantou Will Fischer.

As questões que temos de colocar são as seguintes: O que disse o general Kelly? Se disse a Donald Trump para partilhar isso, temos um verdadeiro problema. Se disse a Trump para não o fazer e Trump o ignorou, temos um grande problema. Se Donald Trump se recusa a consultar o seu chefe de gabinete nestes assuntos, é um enorme problema, sobretudo tendo em conta o passado militar do general Kelly".

Mísseis e fugas

Quanto à informação divulgada inicialmente pela Fox News, um militar norte-americano corroborou na CNN que a Coreia do Norte, no dia 1 de Agosto, embarcou dois mísseis de cruzeiro "Stormpetrel" anti-navio num barco-patrulha na costa leste do país, o que foi registado por satélites espiões norte-americanos.

Segundo o mesmo militar, desde 2014 que a Coreia do Norte não fazia uma operação do género, o que poderá indiciar estar a preparar um teste com mísseis lançados a partir do mar.

Quanto à facilidade com que informações deste género chegam a público, o próprio Donald Trump fez questão, no fim de semana, de assinalar os esforços do procurador-geral e responsável pela pasta da Justiça, Jeff Sessions, para combater as fugas de informação a partir da Casa Branca.

Após anos de fugas a sair de Washington, é bom ver o procurador-geral a agir. Pela segurança nacional, quanto mais forte, melhor", escreveu Trump, como sempre, na sua conta de Twitter, sobre o homem que nomeou e com quem tem andado de "candeias às avessas".