O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está disposto a pedir desculpas por ter difundido, em novembro do ano passado, vídeos do grupo de extrema-direita Britain First desencadeando uma grande polémica no Reino Unido.

Numa entrevista à estação de televisão ITV - que vai ser transmitida na íntegra no próximo domingo - Trump admite que quando divulgou os vídeos, através da rede social Twitter, não conhecia a organização Britain First.

“Se me está a dizer que eles são gente horrível, racista, eu certamente pedirei desculpa, se quiser que o faça”, disse o chefe de Estado ao jornalista Piers Morgan.

Nas partes da entrevista que já foram transmitidas hoje, Trump admitiu que partilhou vídeos anti-islâmicos da organização Britain First por causa da posição que mantém contra o “terrorismo global”, mas sublinhou que desconhecia que se tratava de um grupo seguido por pessoas de extrema-direita.

“Talvez tenha sido um grande assunto no Reino Unido (…) mas nos Estados Unidos não foi uma grande história”, acrescentou Donald Trump frisando que partilhou as imagens porque acredita, afirmou, “na luta contra o terrorismo radical islâmico”.

O grupo Britain First é uma formação minoritária (com cerca de mil militantes filiados), criada em 2011 e que tem como origem o extinto Partido Nacional Britânico (BNP), de extrema direita.

O Britain First que se define como “um partido político patriótico” e como “um movimento popular” organizou protestos contra a construção de mesquitas no Reino Unido.

O partido esteve no centro das atenções da comunicação social britânica em 2016, na altura em que o extremista Thomas Mair assassinou a deputada trabalhista Jo Cox gritando “Britain First”.

Devido à polémica relacionada com os vídeos, Trump comunicou a suspensão da viajem de trabalho ao Reino Unido, que esteve programada para o próximo mês de fevereiro, em que tinha prevista a inauguração da nova embaixada de Washington em Londres.

Após uma reunião com a chefe do governo britânico, quinta-feira, à margem do Fórum Económico Mundial de Davos, Trump disse que as relações entre os dois países são boas.

“Temos uma boa relação, apesar de muita gente pensar que não”, disse o presidente norte-americano à ITV.

“Eu apoio-a [Theresa May]. Apoio muito do que ela faz e muito do que ela diz, assim como os defendo [aos britânicos] militarmente. Iremos em vossa defesa se acontecer alguma coisa, que espero nunca aconteça. Eu apoio muito o Reino Unido”, afirmou.

Trump também se referiu às dificuldades que enfrenta para visitar a Escócia, onde é proprietário de campos de golf, desde que venceu as eleições presidenciais norte-americanas.

“Um dos problemas que tive ao vencer [as eleições] é que não posso regressar [à Escócia] tantas vezes. Gostaria de ir”, disse Trump acrescentando que os escoceses “são pessoas muito especiais”.

De acordo com fontes oficiais britânicas, Trump pode vir a concretizar a primeira visita oficial ao Reino Unido no segundo semestre de 2018.