Ainda a manter um prologado braço de ferro com Moscovo em torno da Síria, Donald Trump assinou esta terça-feira o despacho que viabiliza o processo de adesão da República do Montenegro, na costa do mar Adriático, à NATO, no que é tido como mais um desafio a Moscovo.

O despacho comunicado pela Casa Branca surge no dia em que o secretário de Estado, Rex Tillerson, chega a Moscovo. Onde não deverá ser recebido pelo presidente Putin, ao invés do que acontecia frequentemente com o seu antecessor durante a administração Obama.

Hoje, o presidente Donald Trump assinou o instrumento de ratificação do protocolo de adesão do Montenegro à Organização do Tratado do Atlântico Norte", refere um comunicado da Casa Branca.

A adesão da antiga república jugoslava à NATO era esperada, mas no momento de tensão atual entre Estados Unidos e Rússia surge como mais um desafio do recém-eleito presidente Trump. Até porque no pequeno país dos Balcãs, com pouoc mais de 600 mil habitantes, um setor da oposição pró-russa exige um referendo sobre a questão.

O anúncio de Trump foi, contudo, saudado pelo governo do Montenegro, que fez questão de mostrar o seu agradecimento.

Ainda um caso muito "sírio"

Washington e Moscovo continuam a esgrimir argumentos sobre o ataque químico ocorrido na localidade de Khan Sheikhoun, na passada semana, que levou os norte-americanos a retaliarem por conta própria, disparando 59 mísseis de cruzeiro contra uma base aérea síria de Shayrat.

Esta terça-feira, em resposta às acusações de um oficial norte-americano não identificado, de que Moscovo estaria ao corrente do ataque químico, que os Estados Unidos atribuem ao poder sírio, a Rússia acusou Washington de planear falsos ataques para criar pretextos para atacar a Síria.

Em resposta, nesta guerra de argumentos e propaganda, altos funcionários da Casa Branca refutaram as acusações russas.

As alegações da Rússia encaixam num padrão de desviar a culpa do regime (sírio) e de tentar minar a credibilidade dos seus adversários", salientou um dos funcionários da Casa Branca, que falou, uma vez mais sob condição de anonimato.

Os serviços de espionagem norte-americanos sustentam que os agentes químicos foram lançados sobre Khan Sheikhoun, no dia 4 de abril, por um avião sírio Su-22, que levantou da base de Shayrat.

Segunda-feira, uma fonte militar norte-americana acusou mesmo a Rússia de saber de antemão do ataque e de ter até sobrevoado a localidade depois, com recuro a um drone. Para posteriormente bombardear o hospital local.

Sem confirmação independente sobre a autoria do ataque e com Moscovo a argumentar que os agentes químicos estariam depositados num armazém dos rebeldes que combatem o governo sírio, os Estados Unidos insistem, por seu lado, em culpar o regime de Bashar Al-Assad.

Adicionalmente, as nossas informações indicam que pessoas historicamente associadas ao programa sírio de armas químicas estavam na base de Shayrat, no final de março, preparando um próximo ataque no norte da Síria. E estavam presentes na base no dia do ataque", salienta um relatório da Casa Branca entregue esta terça-feira aos jornalistas.

Outros desafios de Trump

Além da tensão com a Rússia, por via da situação de guerra na Síria e agora condimentada com a viabilização da adesão à NATO do Montenegro, as últimas horas do presidente norte-americano ficam também marcadas pela posição de força face à Coreia do Norte.

Barcos de guerra norte-americanos navegam para o mar da Coreia, por ordem do presidente norte-americano, numa demonstração de força face aos testes norte-coreanos com mísseis balísticos.

A propósito da situação norte-coreana, Donald Trump considera que o regime de Pyongyang está “à procura de problemas”. Por isso, terá decidido agir por conta própria, mesmo sem contar com a intervenção da China, potência mundial que mantém relações privilegiadas com a Coreia do Norte.